08 de julho de 2026
Geral

Café tem semana decisiva em Londres

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

A cafeicultura no Brasil passa por uma das piores crises e um dos grandes problemas é o excesso de café do Vietnã.

O fim da Associação dos Países Produtores de Café (APPC), o cartel mundial dos produtores, pode ser decidido, nesta semana, numa reunião que será realizada em Londres, na Inglaterra. Maurício Lima Verde Guimarães, presidente do Sindicato Rural de Bauru (SRB) e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), que participa da reunião como representante da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), diz que este é um momento decisivo para a associação, que não vem cumprindo seu papel de regular o fluxo de café no mercado.

O fracasso do plano de retenção, praticamente sepultado na última reunião, quando decidiu-se pelo não cumprimento das cotas de exportação, deixando os exportadores à vontade para vender quanto quisessem, derrubando os preços, deve significar o fim do cartel. Na opinião de Lima Verde, como a entidade não controla mais o fluxo de café no mercado, deverá se tornar um órgão amorfo e, por isso, deverá ser fechada. Para tentar retirar o excesso de café do mercado foi tentada a retenção. Como não deu certo, não tem mais sentido existir a associação, afirmou.

O café está passando pela pior crise de preços dos últimos 17 anos, com o valor chegando a pouco mais de US$ 31,00. O grande problema é o excesso de café do Vietnã que está sendo colocado no mercado, ampliando a oferta. Em todos esses anos, nunca chegamos a um nível tão baixo do preço em dólar, afirmou, destacando que essa é a grande preocupação do setor em relação ao endividamento, que começa a vencer em 31 de outubro e está sendo negociado.

Além disso, o consumidor de café anda menos seletivo. Atualmente, muitas torrefadoras preparam o café que colocam no mercado com um blend (mistura) que leva até 50% de café robusta de menor qualidade que o arábica, que é produzido na maior parte do Brasil. Há alguns anos, o máximo de robusta aceitável era 20%. O quadro todo mudou, lamenta Lima Verde.

O fato da APPC estar com dificuldades para sobreviver, faz com que os países vendam quanto quiser no mercado internacional. A questão é que o Brasil teve uma produção relativamente pequena, neste ano, reduzindo seu poder de negociação. Porém, no próximo ano, a situação pode melhorar, em termos de agricultura, com o clima favorável promovendo um aumento da produção. Por outro lado, isso pode ser ruim em termos de preços, que podem cair mais ainda. Está todo mundo esperando para ver o que vai acontecer, afirmou.

A delegação contará com o acompanhamento de José Milton Dalari, que já fez parte do governo e que está trabalhando com os produtores brasileiros para tentar equacionar a situação do setor. Dalari deve fazer contatos de bastidores, como forma de otimizar seu trabalho na volta ao Brasil.

Uma segunda reunião será realizada em Londres: a da Organização Internacional do Café (OIC), que reúne 70 países produtores e consumidores. Ao que tudo indica, revela Lima Verde, o secretário-geral da entidade será substituído, devendo assumir o brasileiro Oswaldo Aranha Neto.