Uma blitz realizada na Cadeia Pública de Bauru, o Cadeião, ontem, frustrou o plano de fuga dos presos da cela 4. Os policiais do Cadeião, com apoio da Polícia Militar, descobriram que um buraco estava sendo feito na laje da cela 4, por onde os 13 presos abrigados na unidade poderiam passar e ganhar a rua.
Apesar da camuflagem, os policiais descobriram um círculo de furos pequenos, feitos com bloca, na laje da cela 4. Para fugir, os presos só iriam precisar pressionar o círculo perfurado para que o buraco fosse aberto de fato, contou o delegado Jader Biazon, que está respondendo pelo expediente do Cadeião.
Se conseguissem sair pelo buraco, cujo diâmetro era suficiente para caber um homem, os presos estariam no telhado do Cadeião. Do teto do prédio, os presos poderiam pular para rua e ganhar a avenida Nações Unidas ou a via lateral. Na cela 4, os policiais apreenderam três blocas usadas para fazer os furos na laje, uma teresa (corda feita com lençóis, usada para escaladas) e uma matraca (equipamento de madeira também usado para escalada).
Biazon contou que também foram encontrados pirulitos na cela 4. Pirulitos são canudos de papelão que os presos usam para substituir pedaços de grades da cela serradas. A polícia não encontrou nenhuma grade da cela serrada, mas a presença dos pirulitos indica que os presos também planejavam outro tipo de fuga.
A blitz foi feita porque a direção do Cadeião descobriu que os presos estariam planejando uma fuga nos próximos dias. Ontem, com apoio da Polícia Militar, foi feita uma revista em todas as celas. Após frustrar o plano de fuga, o delegado Jader Biazon transferiu os 13 presos da cela 4 para outros xadrezes. A cela está interditada temporariamente até que o buraco na laje seja consertado.
Os furos na laje, em forma de círculo, estavam camuflados. Os furos, segundo explicou o delegado, estavam tapados com uma pasta caseira, provavelmente feita dentro da cela, da mesma cor da laje. Dessa forma, à primeira vista, não havia nada de anormal no teto.
A polícia ainda não sabe como as blocas entraram na cadeia, mas o delegado desconfia que os objetos podem ter sido jogados para dentro do pátio por alguém que estava do lado de fora do prédio. A interdição temporária de uma das celas piora a situação do Cadeião, que há tempos está superlotado. Ontem à tarde, a unidade estava com 152 presos.