09 de julho de 2026
Geral

Tilibra estuda instalar fábrica na Bahia

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

A empresa deve receber incentivos fiscais para a nova unidade, que pode ser transformada em sua plataforma de exportação.

A Tilibra S/A, maior fabricante de cadernos do Brasil e terceira da América Latina, realiza estudos de viabilidade para a implantação de uma segunda fábrica, na Bahia. A intenção, segundo Pedro Henrique Coube, diretor-superintendente da empresa, é ficar mais próxima de um dos seus principais fornecedores, a Bahia Sul, e também do mercado consumidor das regiões Norte e Nordeste brasileiro, além do Norte de Minas Gerais. O resultado dos estudos deve sair em outubro e a decisão em dezembro.

De acordo com Coube, o projeto faz parte de um antigo convite da Companhia Suzano de Papéis, que é a controladora da Bahia Sul. A idéia é que a Tilibra se instale próximo à fabricante de papel, o que poderia proporcionar uma economia de, pelo menos, 10% somente com frete da matéria-prima até Bauru e, depois, com a volta do produto acabado até aquela região.

Se o projeto se concretizar, a Bahia, Estado que vem oferecendo grandes incentivos fiscais para que empresas se instalem lá, como foi o caso da Ford, entre outras, poderá obter uma importante conquista. A Tilibra, como não poderia deixar de ser, deve receber incentivos fiscais do programa o Pró-Bahia, que está sendo reestruturado pelo governo baiano. A empresa deve contar com apoio, também, na infra-estrutura.

Além de atender o mercado do Norte e Nordeste do País e Norte de Minas, Coube diz que a nova fábrica poderá se tornar, pela proximidade com portos, a plataforma de exportação da empresa, que vem aumentando suas vendas para o mercado exterior, nos últimos anos, com a abertura de filiais, como a Tilibra Argentina e a Tilibra Chile, ou simples vendas para Estados Unidos e Europa. Para se ter uma idéia do que isso significa, neste ano, a fábrica de Bauru exportou cerca de US$ 10 milhões.

Coube revelou que Luís Antônio Carvalho, vice-presidente da Tilibra, esteve visitando a Bahia para conhecer as condições para a possível instalação da nova unidade fabril. Ele falou, inclusive com o governador César Augusto Rabello Borges (PFL) e com Aroldo Cedraz, secretário de Indústria, Comércio e Mineração do Estado, além dos representantes da Companhia Suzano e da Bahia Sul - um dos dois maiores fornecedores da empresa, que fica em Mucuri, no extremo Sul baiano. Além do papel em bobina, a Bahia Sul passou a produzir, também, papel cortado, desde agosto, o que estimulou o projeto da Tilibra, que consome ambos.

De acordo com Coube, por enquanto, a Tilibra não definiu onde seria a fábrica. Uma possibilidade é ficar próxima à Bahia Sul. Outra seria mais ao Norte, por razões logísticas. Além da fábrica, a idéia é instalar um centro de distribuição para atender às regiões pretendidas.

A nova fábrica, revela Coube, começaria com cerca de 10% do tamanho da fábrica de Bauru, entre 80 a 100 empregados (contra 1.140 da fábrica local, que produz 40 mil toneladas de produto acabado). Segundo ele, ainda estão sendo definidos os parâmetros de logística e de equipamentos da nova unidade. O diretor afirma que a produção de Bauru se mantém inalterada. Essa fábrica não tem nada a ver com a atual. Não vamos tirar nenhuma máquina de Bauru para levar para lá, destacou.

De acordo com o diretor-superintendente, o faturamento previsto para o ano operacional da Tilibra, que vai de abril de 2001 a março do próximo ano, é de R$ 235 milhões.

De acordo com informações, o governo da Bahia vê grande potencial na instalação da Tilibra, que poderia incentivar que outras empresas da área sejam atraídas, para formação de um pólo gráfico. O Nordeste do País representa cerca de 35% do mercado consumidor da área de gráfica e editoral.