08 de julho de 2026
Geral

Brincadeira sem graça

Ricardo Polettini
| Tempo de leitura: 3 min

Estudantes da Unesp Bauru partem para a França, onde realizarão curta-metragem sobre o jogo do lenço: uma brincadeira capaz de matar que começou na França e está virando mania no mundo todo.

Felizes os pais que reclamam dos filhos por terem como brincadeira preferida passar o dia inteiro na frente do computador. Na França, principalmente, uma brincadeira vem levando pais ao desespero: o jeu du foulard, ou melhor, o jogo do lenço.

A diversão, comum hoje em dia na Europa entre pré-adolescentes, consiste no estrangulamento mútuo dos jogadores, até que se chegue ao desmaio, utilizando, para isso, um lenço comum. O barato da brincadeira estaria na sensação de bem-estar, delírio e aluncinação que a falta do oxigênio ocasiona na criança pouco antes de deixá-la inconsciente.

Em seus primeiros estágios, a asfixia (interrupção das funções respiratórias) leva a um estado de entorpecimento e desatenção, parecido com efeito de drogas. Para reanimá-las, a tática utilizada pelos parceiros do jogo é a do bofetão.

Neurologistas afirmam que a falta de oxigenação no cérebro pode deixar seqüelas como demência, epilepsia, amnésia, cefaléia e tremedeiras, além do risco do coma profundo.

Existem relatos na imprensa de que, em 1996, o jogo do lenço teria sido a causa da morte de cerca de 20 jovens franceses da cidade de Antony. O fato motivou a várias mães francesas, lideradas pela dona-de-casa Françoise Cochet, a fundarem uma organização não governamental (ONG) em Paris, não só para alertar os adolescentes sobre os riscos da brincadeira, mas também para provar que seus filhos não cometeram propriamente suicídio.

Curta-metragem

Atraídos pelo tema, estudantes de Desenho Industrial - Programação Visual da Unesp Bauru decidiram realizar um curta-metragem ficcional sobre o assunto, que abordaria histórias reais de crianças que acabaram mortas por causa do jogo. Para isso, os estudantes Ariel Comin, Kelly Oliveira e Jamile Lissa Michida já contactaram e receberam o aval da atual diretora da ONG, Fabiene Leroy.

Eles pretendem partir para a França já no mês que vem, mas precisam do patrocínio de empresas que estejam interessadas em colaborar com o projeto.

A produção, feita em câmera digital, será o fruto principal de uma pesquisa que o grupo já desenvolve há dois anos. O roteiro, que já está pronto, é baseado em conceitos que abrangem não só linguagem, design, mídias digitais e cinema, mas também reações psicológicas e orgânicas do ser humano em relação a suas experiências na busca do novo e do prazer. Também mostrará o aspecto lúdico da alma infantil para revelar a vulnerabilidade e a fragilidade da vida.

O patrocinador teria sua marca veiculada nos créditos da produção, que será exibida nas TVs francesas e brasileiras, além de ser inscrito em festivais nacionais e internacionais de cinema. Assim que estiver pronto, será também exibido em Bauru.

O projeto, orientado pelo professor Dorival Rossi, da área de semiótica e design, também conta com a colaboração do prestigiado cineasta e roteirista Flávio Porto - diretor de mais de 20 produções nacionais, entre elas, o premiado filme Onde os Poetas Morrem Primeiro -, na revisão de roteiro, direção de câmera, fotografia e iluminação.

Contatos com o grupo realizador podem ser feitos pelos telefones (14) 234-7490 (tarde), 230-0771 (noite) e 262-1660 (noite) ou pelos e-mails kellogs@terra.com.br e jmichida@terra.com.br.