11 de julho de 2026
Geral

País manifestou apoio à campanha dos EUA contra o terrorismo. Os Emirados Árabes adotaram medida semelhante, no sábado. Apoio do Paquistão é esperado.

France Presse
| Tempo de leitura: 2 min

Riad - A Arábia Saudita rompeu ontem seus laços com o talibã, acentuando o isolamento da milícia no poder em Cabul e apoiando os Estados Unidos em sua campanha contra o terrorismo, que Riad deseja que seja dirigida também contra Israel. "O governo saudita anuncia a ruptura das suas relações com o taleban", informa um comunicado divulgado pela agência de notícias oficial SPA. A medida, semelhante a que os Emirados Árabes Unidos tomaram sábado passado, acentua o isolamento da milícia islâmica, que Riad ajudou a instalar no fim de 1996, mediante uma importante ajuda financeira. Agora, apenas o Paquistão mantém relações diplomáticas com Cabul.

Este é o primeiro gesto significativo e público do governo saudita, que se compromete, assim, com a luta contra Ossama Bin Laden, muçulmano radical de origem saudita refugiado no Afeganistão e que Washington apresenta como o principal suspeito dos atentados do dia 11. A Arábia Saudita é um dos principais aliados árabes dos EUA.

Em seu comunicado, Riad acusa o taleban de "receber, formar e recrutar vários desorientados, de todas as nacionalidades, principalmente sauditas, para que cometam atos criminosos contrários a todas as religiões, ao mesmo tempo em que se nega a entregar esses criminosos à Justiça".

Mas a política prudente da Arábia Saudita em relação às represálias militares previstas pelos EUA continua alimentando a polêmica sobre sua disposição de oferecer instalações militares ao Exército americano. De acordo com a edição de sábado do jornal "Washington Post", a Arábia Saudita hesitava em permitir que os Estados Unidos utilizassem um centro de comando em uma base ao sul de Riad para eventuais incursões aéreas, o que foi desmentido por Colin Powell.

O certo é que a Arábia Saudita, em cujo território encontram-se dois dos principais locais sagrados do Islã, não esconde sua irritação com a repressão israelense à nova Intifada. Essa repressão, frente a qual a opinião pública do reino é muito sensível, foi classificada de "terrorismo de Estado" pelos ministros das Relações Exteriores de seis monarquias do Golfo Pérsico, incluindo o da Arábia Saudita. "A causa palestina é a de todos os árabes e muçulmanos e é uma fonte de instabilidade na região", lembrou o príncipe herdeiro do reino, Abdallah Aziz, ao presidente Bush, em conversa telefônica.

Bush feliz com medida

Washington - O presidente George W. Bush expressou esta terça-feira sua satisfação pela decisão da Arábia Saudita de romper todas suas relações com o regime Talibã. "O presidente elogia e está agradecido por esta sábia medida do governo saudita", assinalou Ari Fleischer, porta-voz da Casa Branca.

Fleischer também agradeceu aos Emirados Árabes Unidos, que romperam vínculos com os talibãs no sábado, mas negou-se a declarar se Washington está pressionando o Paquistão, o único país que ainda mantém relações com o regime que domina o Afeganistão, para que também rompa esses vínculos. "Os EUA trabalham muito estreitamente com o Paquistão e está muito satisfeito com tudo o que o Paquistão fez até agora", enfatizou.