As cidades históricas mineiras se enfileiram, resgatando ao visitante as Minas do Ciclo do Ouro. Tudo é interessante em Minas. A começar pela hospitalidade mineira. As famílias fazem questão de servir o melhor de sua culinária aos visitantes e muitas delas chegam a emprestar a própria cama.
Tiradentes é a menorzinha das cidades mineiras, mas nem por isso menos charmosa. Ouro Preto é uma riqueza só, tanto em obras arquitetônicas como em artes plásticas. Congonhas é puro barroco imortilizado nas obras de Aleijadinho e Mariana exala aquele cheirinho gostoso de cachaça. Com tantos atrativos é difícil escolher qual a cidade mineira para se visitar. Por isso, a dica é fazer um roteiro prévio e visitar várias ao mesmo tempo, principalmente as próximas a Belo Horizonte. Num único dia você pode ir e voltar da capital mineira sem maiores problemas, pois elas se enfileiram na estrada, facilitando a descoberta.
As cidades colonias brasileiras obedecem um traçado próprio, planejado, por obra dos bandeirantes que, partindo de São Paulo em busca do ouro e de diamantes, formavam os povoados, quase sempre em torno de rios e riachos usados para as entradas.
Quase todas, como as cidades mineiras em geral, têm como pano de fundo um cenário formado por cadeias de montanhas. Mais um motivo de passeio para quem quer aliar cultura, história e gastronomia. O clima é um convite à boa mesa. A cachaça serve para quebrar o frio e o vento quando o sol se põe. Vêm acompanhada de pão de queijo mineiro, claro, e generosas rodelas de lingüiça preparada com carne suína de primeira. Antepastos de fazenda para se esperar a vaca atolada, o frango caipira com polenta e quiabo e o leitão à pururuca de logo mais. Sem pressa, sem neuras, de mansinho, como os mineiros gostam. A culinária mineira é irresistível. Tanto que por mais que você viaje aos quatro cantos do País, é dela que se sente saudade quando o aconchego da cama e da mesa vem a mente.
Labirinto de sobe-e-desce
Os mineros como os paulistas gostam de se referir aos seus vizinhos lá de cima, falam no diminutivo, têm sempre um causo para contar e fama de desconfiados. Mas visitando aquelas pragas cercadas de morros por todos os lados, você vai se entrosar tão bem na terra do queijo curado que se sentirá como em sua própria casa. E com todo o conforto. Vai provar a comidinha mineira exalando lá do fogão à lenha e chegar ao ponto de sentar-se na cama macia, cheirosa, da matriarca da família, para descansar depois de se esbaldar nos labirintos do sobe-e-desce das cidades do Ciclo do Ouro.
Uma viagem no tempo das riquezas, do Brasil Colonial, dos nossos bravos inconfidentes que pagaram com a vida nossa luta pela liberdade da Coroa, da Derrama, dos Altos Impostos. Com exceção de Diamantina - terra da negra Xica da Silva que com seus dentes brancos e curvas perfeitas encantou o português João Fernandes -, as principais cidades históricas mineiras vão se sucedendo uma a uma com histórias próprias, peculiares.
Todas mostram o apogeu de uma época retratada na riqueza dos inúmeros altares das igrejas católicas. Depois de passar por Ouro Preto, Congonhas e Tiradentes, visite Mariana, a primeira capital do Estado. Ela é bem menor que a ex-Vila Velha mas tem um dos mais belos casarios coloniais do País. Às sextas-feiras e domingos, quem está na cidade, pode acompanhar recitais de música clássica em sua Catedral da Sé. Aliás, o órgão alemão mais antigo do Brasil está lá para admiração dos turistas.
As ruelas de pedra, os centros históricos, os lampiões do tempo de Tiradentes, os museus, as obras de arte envolvendo pintura e escultura e as igrejas em estilo barroco vão lhe passar a sensação de que você está num mundo à parte. Onde atentados terroristas, bombas nucleares e a provável Terceira Guerra Mundial são coisas impensáveis, irreais...