08 de julho de 2026
Geral

SENHORES DA GUERRA

Demerval Assis da Silva
| Tempo de leitura: 2 min

Quem de nós não sentiu dor, quem de nós não se sentiu impotente, impossibilitado, ao ver as torres do World Trade Center queimarem e logo em seguida ruírem, ante pavor, ao terror dos que nela trabalhavam ou apenas se divertiam. Isso por mais que tentemos exercitar nossa frieza ou um idealismo mais socialista perante o domínio da minoria capitalista, isso cai por terra, somos humanos. Mas o poder da mídia também pode criar, e cria em nós falsas verdades, ou ousaria até em dizer, falsos sentimentos. Ou a vida do rico americano, do dominador, vale mais que o a do pobre, dominado? Quanta gente, não só na África, mas aqui bem perto, no Nordeste, no vale do Jequitinhonha, no Ferradura Mirim, vive e morre, sem uma lágrima apenas dos ricos? Quem em vida não tem direito à saúde, educação e lazer. Quantos morrem sem saber que existem leis que lhes dariam direito à vida digna, ao menos em tese.

Quantos matam, ou perdem a vida em guerras por armas made in USA, sem direito à cobertura feita pela CNN ou BBC? Usados, sem o menor constrangimento pelos mesmos Srs. da Guerra que agora indignados querem que todos façam parte da sua indignação. Indignados, sim, mas com olhos atentos e fazendo considerações e reflexões: quem é o bandido? Quem é o mocinho? Dia destes vi neste mesmo JC uma matéria muito interessante, sobre jovens americanos que vieram nos visitar. Vocês se lembram? Jovens que não sabiam onde ficava o Brasil, jovens que achavam que aqui não havia nenhuma tecnologia, que só havia índios e matas. Não que se fosse assim fossemos menos dignos, muito pelo contrário, quem diria um paraíso ainda aqui!

Mas uso esse exemplo para perguntar: um povo detentor de todo dinheiro e de tudo que ele possa comprar, é inadmissível, que não conheça ao menos a trivial de cada região do globo. Isso mostra apenas prepotência, egoísmo, enfim egocentrismo. O que podemos esperar em termos de justiça, de igualdade social, estando nas mãos de patrões tão mesquinhos? Indignados estamos, vidas se foram e isso não tem preço. Agora resta saber quanto o gigante terá que esmagar para saciar a sua fome, a fome do poder? (Demerval Assis da Silva - RG. 14.668.193)