A guerra é uma dolorosa lição de coisas. Há nela mil ensinamentos a colher.
Somente à inteligência dos estadistas deve caber a missão de os expor e os aproveitar. Naturalmente, nenhum contemporâneo da tremenda catástrofe poderá apreender a complexidade infinita das questões que ela cria ou agita como não poderá perceber-lhe as origens exatas. Hoje, no julgamento de qualquer um de nós, cem pormenores faltariam, falseando a visão do conjunto e entraria sempre um contingente pessoal de simpatia, interesses ou paixão. Só à geração vindoura será permitido esse trabalho. No entanto, há conseqüências graves que resultam imediatamente dos fatos.
Essa barbaridade ocorrida nos Estados Unidos revigora o sentimento de nacionalismo, faz surgir o ódio, a retaliação, a sede de vingança, o culto quase místico da pátria. É preciso muita serenidade, muita ponderação por parte dos dirigentes americanos, embora compreendamos perfeitamente sua dor e seu sofrimento. Os chineses aconselham: Quando você sair em busca de vingança, cave antes duas sepulturas, uma para você e outra para quem você vai se vingar.
A guerra se revela bárbara e atrós com seu séquito de horrores e o seu largo sulco de sangue, razão porque devemos evitá-la. Ghandi nunca teve uma arma. Sua verdadeira arma era a sabedoria, a cultura e a palavra que fortaleciam suas reivindicações sempre vitoriosas. Nós devemos lutar, mas por reivindicações de um ideal de ordem, de liberdade, de justiça e de paz. (Blasco Peres Rego - O.A.B. 17461)