Dia 10 de setembro, segunda-feira, dia de pico, na linguagem bancária. Lá estávamos nós na fila interminável da agência Banespa, Altos da Cidade. Entre olhares cansados e expressões sisudas, percebíamos pouca alegria e quase nenhum sorriso. Não poderia ser diferente, ainda mais se nosso time tivesse sido derrotado no domingo! Mas, retornando em pensamento para aquele momento, podemos transmitir aos leitores o ocorrido. Todos procuram, no vazio, sem nada falar, um culpado para tudo aquilo que acontecia. Impacientes, apressados, olham para o relógio como se fosse um consolo maior fixar o olhar naquele instrumento tiquetaqueante, que nos deixa mais nervosos ainda. Estamos na fila, pois a máquina do lado de fora, recusou-se a receber algumas contas, dizendo-nos, mecânica e friamente, que procurássemos um caixa na Agência. E que prazer, batermos uma caixa com a simpática e atenciosa Magali, ou então, com a cordial Ana Lúcia. Entretanto, na nossa frente, um senhor de meia-idade, ou quase inteira, perto dos 60 ou mais, estava agoniado pela demora e, esbaforido, criticava tudo a sua volta. Falava mal até do Papa! O Papa, aliás, que se fosse espremido, como uma fruta, daria um Sumo Pontífice! Pobre Santidade, coitado! Mas voltemos ao senhor da fila, fila esta que, para chatear mais ainda, teimava em não andar! Depois de tentarmos, em vão, dar-lhe algum consolo, justificando que aquele era sem dúvida, um dia atípico, levamos o troco, pois ele fez uma cara de quem pensou mais ou menos assim: Cada atípico que me aparece! Foi aí que, olhando para sua camisa desabotoada, pensamos com seus botões:- Realmente, de quem é a culpa ? Nosso enlevo momentâneo foi, subitamente, interrompido pelo vociferante e espevitado senhor , que praguejava frenético : Tem mesmo é que multar o banco mil vezes , pela demora da fila! Diante do pronunciado em alto e bom som, foi que ponderamos e refletimos sobre a situação. As máquinas modernas, auxiliam em muito, à todas as pessoas que tentam, cotidianamente, cumprir seus compromissos comerciais. Mas elas falham, se confundem, atrasam e não sabem pedir desculpas pelo transtorno causado. A tentativa de multar os Bancos, embora seja bem-intencionada, é inócua, combatendo somente o efeito (a demora), sem destruir a causa (a estrutura), considerando-se que, pagar multas, para os banqueiros, é o mesmo que empurrar bêbado escada abaixo, ou seja, é fácil, fácil! Perguntamos aos nossos gloriosos governantes, por que não criaram ainda, leis e diretrizes, a serem cumpridas à risca pelos banqueiros, no sentido de melhorar, efetivamente, os serviços bancários no Brasil. Serviços estes, que são tarifados abusivamente. Entre as medidas a serem tomadas, seria a obrigatoriedade para os bancos, de manter nas agências, número suficiente de funcionários (geração de emprego), compatível com o volume de serviços de cada uma delas. Esqueçam as multas. Privatizar é fácil. Exigir retorno em melhores serviços à população (clientes) é que é difícil, pois não há o mínimo interesse por parte do governo neste sentido. Os banqueiros acreditam que a automação será, suficientemente capaz de substituir o ser humano. Estão enganados, não é bem assim. Todavia, o progresso, a tecnologia embora promissores - fazem-nos refletir sobre o início de uma nova era para a humanidade. Perderia, o ser humano homem de coração, alma e sentimentos a sensibilidade, o amor e a sua própria essência, com o advento das máquinas que fazem tudo ? Realmente, um novo tempo está se iniciando e não podemos ignorá-lo, pois, simplesmente, somos parte integrante desta evolução. É preciso que nos adaptemos, conciliando nossas tarefas interativas, com o melhor do que a cibernética possa nos proporcionar. Assim esperamos que o homem faça, sem perder nunca, a plenitude de um diálogo comunicação maior do ser humano entremeado de carinho e doces sorrisos que revelam aos olhos, a alma que cada um de nós recebeu do Eterno Criador! E lembrem-se, caros leitores, uma máquina, jamais terá o sorriso meigo e doce da Magali! (Fernando Lucilha Júnior RG 5.023.414)