07 de julho de 2026
Geral

DE BÍPEDES E BICICLETAS

Oscar Camaforte
| Tempo de leitura: 1 min

Tempos atrás, um leitor desta tribuna reclamava dos gatos que caçavam, além dos pássaros de pequeno porte, os filhotes de patos, de galinhas garnisé e de angola, aves que alegravam as crianças nos seus passeios pelo Bosque da Comunidade. Pois só restaram as angolas, capotes, como são chamadas no nordeste. Nas minhas caminhadas pelas cercanias daquele mesmo sítio, feitas em passo lento - eis que sou um bípede cujas juntas do esqueleto já estão avariadas pela gota serena, doença que assoma os mais experientes nas coisas da vida -, sempre olho muito bem por onde piso. Foi por isso que nas duas últimas semanas encontrei, em distintas ocasiões e em locais próximos, duas carteiras jogadas na calçada, sem dinheiro, só com os documentos. Uma vizinha encontrou uma terceira, nas mesmas condições. Relatei o fato no posto policial da praça Portugal.

Gentilmente, um policial informou-me tratar-se de menores que pilotando bicicletas furtam as bolsas de mulheres que andam, descuidadas, pelas ruas das cercanias do Confiança Max. A gente prende, mas o juiz logo tem de soltar, falou o soldado da PM, arrematando com a recomendação: Caso o senhor ache alguma outra carteira, entregue lá no Correio. Ficou a impressão de sermos todos, à semelhança das aves do Bosque, bípedes sem penas, como certa vez nos definiu um filósofo, deixados à mercê desses gatunos sobre rodas, a quem a justiça não pode atingir. Será que nem os policiais-ciclistas conseguem evitar a ação desses criminosos que atacam de preferência mulheres idosas? (Oscar Camaforte - RG: 3.640.192)