Durante os testes os candidatos perderam a noção do espaço, ficaram mais agressivos e auto-confiantes e negligenciaram regras básicas de trânsito.
Mostrar o que a ingestão de bebidas alcoólicas é capaz de fazer em motoristas de veículos. Esse foi o objetivo dos testes de alcoolemia realizados, no último domingo, no Sambódromo. Uma equipe médica formada pelo oftalmologista José Carlos Tosi, o otorrinolaringologista Arakem Fernandes Carneiro, o urologista e médico do IML Ivan Segura, a fonoaudióloga Mariangela Tosi e a psicóloga Rejane C. Villas Boas Tavares acompanhou a aplicação dos testes, que servem para verificar o nível de álcool no sangue.
O evento, que integrou a programação de atividades elaborada para a Semana do Trânsito na cidade, contou com a participação de dez candidatos, entre eles motoristas de empresas de ônibus e policiais, selecionados para tomarem doses de vinho, whisky e cerveja.
Para Wilson Roberto Demarchi, um dos voluntários dos testes, participar do evento é uma forma de demonstrar que o álcool, além de deixar os motoristas mais relaxados, contribui para diminuir consideravelmente os reflexos dos condutores.
Outros voluntários, como Valéria Rocha Cavalheiro e Renato da Silva, seguem a mesma linha de raciocínio. E vão além: Muitos acham que bebem e depois dirigem com cautela. Por isso, os testes são importantes para conscientizar a população do estado que as pessoas ficam após ingerirem bebidas alcoólicas, consideram eles.
As ações desenvolvidas durante os testes, segundo a Polícia Militar, servirão para a montagem de uma fita educativa para empresas, escolas e universidades trabalharem a questão do álcool ao volante.
O evento teve o apoio da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), do Corpo de Bombeiros, da Associação de Auto-Escolas, do Rotary e das Bebidas Fernandes, que cedeu as bebidas utilizadas.
Avaliações
Após ingerirem as bebidas, os candidatos passaram pelo bafômetro (o aparelho, mesmo aferido segundo a PM, apresentou problema durante a realização dos testes e acabou não podendo ser utilizado durante o evento) e foram examinados por especialistas antes de assumirem o volante para enfrentar uma pista de cones montada no Sambódromo.
Mesmo não podendo diagnosticar pelo bafômetro o nível de álcool no sangue dos candidatos, os resultados das avaliações psicotécnicas feitas pela equipe médica confirmaram o que muitos já sabem, mas fingem desconhecer: o álcool influencia, invariavelmente para pior, o desempenho do motorista ao volante.
De um modo geral, segundo o tenente Jorge Luis Dias, da 4.ª Companhia da Polícia Militar de Bauru, durante os testes os candidatos perderam a noção do espaço, ficaram mais agressivos e auto-confiantes e negligenciaram regras básicas de trânsito. Muitos reduziram o tempo do percurso estabelecido para os testes, indicando que aumentaram a velocidade para realizar uma mesma tarefa. Além disso, também perderam a noção de segurança, considera ele.
Já sob o efeito do álcool e visivelmente mais descontraídos e relaxados, alguns candidatos derrubaram vários cones na pista e apresentaram muitas alterações médicas, como diminuição da visão e do equilíbrio corporal, e transformações de ordem psicológica. Segundo a psicóloga Rejane C. Villas Boas Tavares, considerando-se as diferenças individuais, observou-se que para todos os indivíduos submetidos aos testes a avaliação mostrou resultados diferentes antes e após ingerirem bebidas alcoólicas. Para Rejane, apesar das diferenças individuais, todos apresentaram modificações neurológicas e psicológicasPara alguns deles, antes do consumo, o teste mostrava personalidade insegura, com problemas de sociabilidade, concentração e reflexos. Após beberem, mostravam-se indivíduos bastante agressivos, persistentes, corajosos e com grande capacidade para enfrentar situações, disse ela, para depois complementar:
Para os outros sujeitos, antes do consumo, mostravam-se inseguros, com grande controle emocional, agressividade reprimida e socialmente aceita. Porém, após o consumo, perderam os reflexos, ficaram confusos e apareceram conflitos internos em algumas avaliações.
Rejane conclui enfatizando que algumas avaliações ainda mostraram pessoas com boa concentração, reflexos, agilidade e controle emocional que, após o consumo, mostraram-se vulneráveis, perderam a censura e a auto-crítica, o controle e a concentração.
O tenente fez questão de ressaltar também que o fato dos candidatos, após já terem tomado algumas doses, não terem derrubado nenhum dos cones da pista montada no Sambódromo ocorreu somente porque tratava-se de uma situação normal de trânsito. O álcool exige maior tempo de observação para avaliar situações de trânsito, mesmo as mais corriqueiras. Ele torna difícil, quase impossível, sair-se bem de situações inesperadas, que dependam de reações rápidas e precisas. Em ocasiões que exigissem todos os sentidos apurados, certamente os candidatos não teriam condições de tomar uma atitude pró-ativa, como utilizar os freios ou efetuar uma saída rápida da pista em uma emergência, destaca ele.
Exposições vão até dia 30
Os frequentadores do Bauru Shopping poderão conferir até amanhã os painéis com fotos de acidentes de trânsito. Além disso, haverá estande da 5ª Ciretran, exposições de viaturas do trânsito urbano e rodoviário e um terminal para consultas de multas da Emdurb.
Também se encerram amanhã as exposições de veículos que se envolveram em acidentes de natureza grave. Os automóveis batidos poderão ser visitados na Praça Portugal, na Base de Segurança Sul, na quadra 6 do Calçadão e no Bauru Shopping.
Efeitos no organismo do condutorExiste uma relação direta entre o consumo de bebidas alcoólicas e o risco de provocar ou se envolver em um acidente de trânsito. Estudos revelam que mais da metade dos acidentes ocorridos em estradas e áreas urbanas são causados por ingestão de álcool.
O álcool atua sobre o sistema nervoso central, que comanda as reações do cérebro, alterando a percepção, a coordenação motora e a capacidade de auto-avaliação.
Os efeitos no organismo do motorista variam conforme a concentração de álcool, medido em gramas por litro de sangue:
Até 0,2 - O álcool não produz efeito aparente na maioria das pessoas.
De 0,2 a 0,5 - Sensação de tranquilidade, sedação, reação mais lenta a estímulos sonoros e visuais, dificuldade de julgamento de distância e velocidade.
De 0,5 a 1,5 - Aumento do tempo de reação a estímulos, redução da concentração e da coordenação, alteração no comportamento (falar muito, ficar extrovertido, etc.)
De 1,5 a 3,0 - Intoxicação, descoordenação geral, confusão mental, visão dupla e desorientação.
De 3,0 a 4,0 - Inconsciência, às vezes coma.
5,0 - Morte.
Embriaguês pode resultar em processo e multa para o motorista
O Código de Trânsito Brasileiro, em seu artigo 276, estabelece que o teor máximo para motoristas é de 0,6 decigramas de álcool por litro de sangue. Além deste limite, já é configurado o estado de embriaguês.
Dirigir embriagado traz duas conseqüências para o motorista apanhado nestas condições: de natureza criminal e administrativa.
Criminalmente, o motorista pode ser preso e autuado em flagrante, respondendo posteriormente a processo baseado nos termos do artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro. Este atribui detenção de 6 meses a três anos, além de multa e suspensão do direito de dirigir ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para guiar veículos.
Administrativamente, o condutor também pode ser multado em 900 Ufirs (R$ 954,00) e responder a processo administrativo, nos termos dos artigos 165 e 265 do Código de Trânsito, além de poder o seu direito de dirigir suspenso pelo prazo de 4 a 12 meses de acordo com a resolução 54/98 do Contran.
Nesse caso, para voltar a dirigir, o motorista deverá se submeter a curso de reciclagem, que custa R$ 50,00.
Orientações gerais
Se você não estiver ao volante: Não pegue carona quando não tiver certeza de que o motorista está sóbrio; Se durante uma festa você notar que um de seus convidados exagerou nos drinques, dê um jeito de não servir mais bebidas alcoólicas a ele. Com cuidado para não ofender ou irritar a pessoa, chame um táxi ou peça a um amigo que não tenha bebido para levá-lo em casa; Se você não bebe, ofereça-se para dirigir; Use sempre o cinto de segurança, mesmo para distâncias curtas. Oitenta por cento dos acidentes ocorrem num raio de 40 km de distância da residência das vítimas.
Se você estiver ao volante: Não beba se for dirigir. Se você for a uma festa em que sabe que vai beber, vá de táxi ou de carona; Nunca misture álcool e medicamentos e informe-se com seu médico sobre possíveis efeitos de remédios que esteja tomando; Evite carros que andam desgovernados, como se estivessem perdidos na pista. É provável que o motorista esteja alcoolizado. Se acontecer de você estar de carro e beber, é mais seguro pedir carona a alguém que não tenha bebido, chamar um táxi, ligar para um parente ou um amigo ou, até mesmo, se possível, pernoitar no local.