A astrologia apontava momentos conturbados e violentos para 2001, o ano de Marte, o deus da guerra
Há 28 anos estudando os movimentos e mistérios dos astros, o bauruense João Carlos de Almeida, mais conhecido como JOÃOBIDU, é um dos mais populares astrólogos do País, graças as suas dicas e previsões publicadas em dezenas de revistas e jornais pelo Brasil. Em algumas de suas revistas lançadas no final do ano passado, em especial uma chamada Astral 2001, o astrólogo fala sobre como esse ano pode ser violento e marcar o início de conflitos, devido à influência de Marte, entre outros planetas. Os acontecimentos do dia 11 nos Estados Unidos e a expectativa de uma grande guerra, praticamente, materializaram essas previsões. O astrólogo falou ao Caderno Ser sobre os aspectos astrológicos de 2001 e sobre o que esperar nos próximos meses e no ano que vem, segundo os astros.
Jornal da Cidade - A astrologia já havia apontado a possibilidade de 2001 ser um ano agitado e com ameaça de guerra? JOÃOBIDU - Havia uma tendência que prevista pela astrologia. Vou até recordar o que eu coloquei na abertura da minha revista Astral 2001: ... Falhas e erros poderão acontecer, não por omissão e sim por excesso. Aliás, são esses excessos que podem tornar o ano bastante conturbado. Peço a Deus e fico torcendo para que o lado mais violento e agressivo de Marte não se manifeste ou que seja dominado pelas demonstrações de fé, solidariedade e ponderação nas relações entre as pessoas e os povos. Em outra parte eu ainda falo: ... Coragem, vontade de possuir, combatividade e confiança são algumas características positivas de Marte, que é o regente de 2001. Entre as negativas estão precipitação, violência e agressividade. Por isso não se pode esperar um ano calmo. Ao contrário. 2001 promete ser vibrante, seja nas relações pessoais, seja nas relações entre os povos, razão pela qual alguns conflitos sangrentos serão inevitáveis. Grandes incêndios e crimes passionais também estão previstos. Todo ano no qual a influência de Marte é muito forte sempre tem a tendência de violência, agressividade e guerra de um modo geral.
JC - Cada ano um planeta tem influência sobre os acontecimentos terrestres?JOÃOBIDU - Sim, é um influência mais genérica que um planeta exerce, a gente diz que ele rege o ano. Mas existem influências mais dinâmicas que precisam ser analisadas para uma previsão mais profunda. 2001, que, astrologicamente, vai até março do ano que vem, tem a regência de Marte, então até lá estaremos com essa tendência de conflitos, de guerra e violência. 2002 tem uma simbologia completamente diferente porque será governado pelo Sol, que representa energia, calor, sensualidade, alegria e criatividade. A perspectiva é que tenhamos a partir de março do ano que vem um período bem mais tranqüilo e bem mais festivo.
JC - De quanto em quanto tempo trocam essas regências dos astros, quanto tempo Marte demora para voltar a reger o ano?JOÃOBIDU - Acontece de sete anos em sete anos, o ano de 1994, foi o último com a regência desse planeta.
JC - Além da influência de Marte, mais algum aspecto astrológico indicava os fatos ocorridos nos Estados Unidos que geraram essa expectativa de guerra?JOÃOBIDU - Em setembro, a gente tinha a oposição de Saturno com Plutão, que é uma planeta superviolento. Saturno também é um planeta que sempre traz, de um modo geral, coisas ruins, apesar de ter aspectos positivos. Na Antigüidade Saturno era considerado o grande maléfico e Marte, o pequeno maléfico. Em setembro nós tivemos o aspecto mais negativo que se pode ter, que é a oposição, quando os planetas estão separados, de lados opostos, 180º, sendo Plutão, um planeta violento que provoca transformações com Saturno que é um planeta pesado. Essa tendência continua até 15 de outubro. Desse dia em diante, Saturno começa a fazer um aspecto positivo com Urano, que governa as relações entre os povos, a comunicação entre os povos, a generosidade e a amizade. Eu acredito que, a partir de 16 de outubro, será muito mais fácil encontrar um ponto de equilíbrio para que essa ameaça de guerra, de conflito, termine ou que se reduza bastante. Mas até lá o clima será tenso.
JC - Para 2002, a tendência à agressividade continua até o fim da regência de Marte?JOÃOBIDU - Exatamente, isso é uma influência mais generalista mas nós vamos estar sujeitos a chuvas e trovoadas, que dizer, o clima de violência pode imperar.
JC - Para o Brasil, especificamente, o que os astros apontam?JOÃOBIDU - O problema no Brasil é que nós temos dois planetas, Netuno e Urano, que já estão há um bom tempo no nosso inferno astral, na nossa casa astrológica 12. E o inferno astral sempre traz problemas com drogas, alcoolismo, prisões, medicamentos... É sempre uma influência pesada. Mas ainda bem que em 2002 nós não teremos mais essas influências de Netuno e Urano. Apesar disso, o ano que vem é regido pelo Sol e esse astro representa o inferno astral do signo solar do Brasil, que é Virgem, então não vai ser aquela maravilha. A gente pode esperar algumas turbulências no ano que vem, apesar das energias positivas do Sol.
Quem é Marte
Na Astrologia, Marte simboliza a energia, o movimento dinâmico, a força incontrolável do fogo, seja no seu aspecto purificador e criador, seja no seu aspecto violento e destruidor. Marte também representa pioneirismo, liderança e o poder de competição.
Astronomicamente, o planeta possui cerca de metade do do tamanho da Terra e leva 686 dias e 23 horas para completar a sua órbita em torno do sol. Uma particularidade o torna um dos corpos celestes mais interessantes do sistema solar, como sua superfície possui uma grande quantidade de óxido de ferro, Marte se apresenta como uma bela esfera vermelho-alaranjada no céu. A cor o associou na Antigüidade ao deus grego que lhe emprestou o nome.
Segundo a mitologia grega, Ares, filho de Zeus era o senhor da guerra, uma divindade brutal, amante da luta e semeador de desentendimentos entre os deuses e os mortais. Armado com um capacete, lança e espada, ele personificava a carnificina, o assassinato e a violência gratuita, por isso não era muito bem visto pelos gregos, que o consideravam um mal necessário, o último recurso para se evitar a servidão. Os romanos chamavam Ares de Marte e para se opor completamente à sociedade grega, fizeram do deus sua mais importante divindade. Em Roma, Marte era tido como o deus protetor das conquistas do exército. Sua aparência na Grécia era de um guerreiro rude, barbudo e pesadamente armado. Na Itália, ele se tornou um deus jovem e forte, apenas com uma lança e um capacete.
Os anos de Marte
Todos anos registram guerras em seu histórico, alguns, porém, marcam o início de conflitos ou fatos que mais tarde acabam mudando os rumos da História. Os anos de Marte, geralmente são assim. Coincidência ou não, foi num ano regido por esse planeta que a Revolução Russa aconteceu (1917); que a Alemanha invadiu a Áustria e parte da Tchecoslováquia abrindo caminho para atacar a Polônia e começar a Segunda Guerra Mundial (1938); que as bombas atômicas foram lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki (1945); que começou a Guerra do Vietnã, com a guerrilha vietcongue atacando bases americanas no país (1959); e que Israel foi atacado de surpresa por países árabes durante o Yom Kipur (1973), só para citar alguns exemplos.
1994, o último ano regido por Marte também foi bastante violento. Além de várias catástrofes da natureza, conflitos que, algum tempo depois resultariam em milhares de mortos, começaram naquele ano. Curiosamente, naquele ano, a Casa Branca e o presidente dos Estados Unidos estiveram sob a ameaça de franco atiradores e um piloto de avião perturbado. Confira:
Um terremoto de 6,6 graus na escala Richter atingiu Los Angeles no dia 17 de janeiro, matando 60 pessoas, ferindo 3 mil e deixando 30 mil desabrigados. Em março, um tremor de 7,2 graus matou 180 pessoas em Sumatra e deixou 2 mil feridas. No dia 4 de outubro um terremoto de 8,2 graus atingiu o Japão, provocando ondas enormes que inundaram o litoral, deixando dezenas de mortos e feridos. Em novembro, o ciclone Gordon passou pelo Caribe deixando um rastro de morte. Foram mais de 500 pessoas, 450 só no Haiti, o país mais atingido.
No dia 25 de fevereiro, um médico judeu fuzilou 30 palestinos que rezavam na mesquita de Ibrain, em Hebron, na Cisjordânia. O massacre provocou o ressurgimento da Intifada, a sublevação palestina e uma onda de violência pelos territórios ocupados.
Em 6 de abril, explode o avião em que viajavam os presidentes de Ruanda e do Burundi. A suspeita era de atendado porque os dois eram da etnia Hutu. No dia seguinte começa a guerra civil de Ruanda que, nos primeiros quinze dias mata, segundo a ONU, mata cerca de 10 mil pessoas.
Um carro-bomba destrói o prédio da Associação Mutual Israelita Argentina, em Buenos Aires, no dia 18 de julho. 96 pessoas morrem e 150 ficam feridas. Dias depois, quatro diplomatas iranianos são responsabilizados pelo atentado.
No dia 12 de setembro, um avião Cessna 150 pilotado pelo ex-piloto militar Frank Corder, cai nos gramados da Casa Branca, quase atingindo o prédio depois de driblar os sistemas de segurança. O presidente Bill Clinton e a família não estavam na residência. O piloto, que sofria de problemas mentais, segundo o serviço secreto americano, morre na hora. Em 29 de outubro, Francisco Durán atira com um fuzil semi-automático contra a Casa Branca e é detido por turistas e agentes do serviço secreto. Clinton, desta vez, estava em casa, mas apenas algumas vidraças foram atingidas. Em dezembro, no dia 17, mais tiros foram disparados contra a residência do presidente americano, mas o autor dos tiros, que não atingiram nenhum alvo importante, não foi encontrado. Dia 20, um homem que brandia uma faca em frente à Casa Branca foi morto por um policial.
Com o pretexto de defender a população, no dia 11 de dezembro, tropas russas invadem o território da República autônoma da Chechênia, que lutava por sua independência. O conflito sangrento destrói o país e se estende até hoje.
Fonte: Almanaque Abril 1995