07 de julho de 2026
Geral

Fim de caso

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 5 min

Levar um fora acontece com quase todo mundo pelo menos uma vez na vida. É o risco que corre quem está envolvido com alguém. Quando a relação termina por um consenso de ambas as partes (o que é raro), a dor ainda é menor. Pior são os casos em que um parceiro simplesmente decide terminar tudo de uma hora para outra e surpreende o ex-amor com a notícia. Na realidade, porém, a surpresa só existe para as pessoas que não percebem que a sua relação está acabando porque estão muito ocupadas para isso. Ninguém rompe um namoro ou termina um casamento sem pensar muito antes. Prestando atenção, é possível saber se o romance está, ou não, se encaminhando para o fim.

Antes de tudo é preciso estabelecer algumas diferenças entre o comportamento masculino e o feminino nessa situação. Apesar de batidas as definições de John Gray sobre os sexos no já clássico livro, Homens São de Marte, Mulheres São de Vênus, ainda são bastante pertinentes e podem ser tomadas como uma espécie de base para se entender o que acontece.

Segundo a obra do americano, os homens são concretos, oferecem soluções e não se importam com sentimentos, enquanto as mulheres são mais abstratas e oferecem conselhos e orientações. Eles, de acordo com Gray, ainda têm necessidade de se afastar quando estão com problemas e têm a necessidade de se mostrarem úteis. As mulheres gostam de conversar sobre o que as incomoda e precisam se sentir acalentadas. Existem mais diferenças: os homens levam tudo ao pé da letra, as mulheres generalizam as coisas segundo o seu ponto de vista; na intimidade, eles às vezes precisam de se afastar, elas exigem contato constante; quando o assunto é ajuda, elas sentem dificuldade em pedir, eles, em dar.

Na hora de terminar um romance, os homens, geralmente são discretos, dão indiretas e preferem não abrir o jogo, se distanciando até que a parceira se manifeste. Enquanto isso costumam encontrar argumentos para a hora do confronto. O público feminino age de forma mais aberta. Reclamam, questionam, brigam, faz escândalo se preciso. Por conta dessa diferença fundamental de estilos, são mais comuns os casos de mulheres que levam o fora dos parceiros de uma hora para outra do que o contrário, mas isso não é uma regra. Existem mulheres que fingem ou que agem com discrição em relação aos seus sentimentos como os homens não é possível generalizar, embora realmente elas tenham uma maior tendência a se expressarem, diz a psicóloga Ana Lígia Camargo.

Sintomas

De um modo geral, a psicóloga cita três padrões de comportamento básicos que podem significar que, no mínimo, alguma coisa não ainda bem no relacionamento:

Distanciamento físico. Ao invés de querer ficar junto, a pessoa procura razões para se afastar, seja no trabalho o no círculo social. Ele prefere sair com os amigos do que só com a namorada, por exemplo, explica a psicóloga.

Distanciamento emocional. A pessoa pára de se interessar pelas coisas do par e não se importa para onde a relação está caminhando.

Necessidade de distância. A pessoa pára de ligar Os programas juntos diminuem, as conversas também. Esse é um sintoma grave, diz Ana Lígia Camargo. Segundo a psicóloga, o comportamento sexual nem sempre serve para avaliar a falta de interesse no casal, já que nem sempre o homem deixa de manter (e querer) relações sexuais apesar de não estar mais interessado emocionalmente na parceira. A mulher, por sua vez, costuma evitar intimidades quando já não tem certeza de que quer continuar uma relação.

A socióloga americana Diane Vaughan identificou sete padrões que se manifestam antes de um casal pedir o divórcio, eles são, aproximadamente, os mesmo apontados por Ana Lígia Camargo, mas se apresentam de forma mais detalhada.

O que fazer

Com certeza, a solução para quem identifica um sinal de fuga do parceiro (ou parceira) não é esfregar esse jornal na sua cara e exigir uma explicação. Além de escandalosa, essa técnica até poderia fornecer subsídios para a explicação da fuga. A solução está no diálogo e também em uma auto-análise, explica a psicóloga. E interessante fazer uma avaliação de como você (quem quer que esteja sendo deixado para trás) tem tratado a sua relação e pensar no que você pode fazer para melhorar, para resolver as diferenças, afirma. A psicóloga lembra que dialogar não é o mesmo que cobrar, por isso é importante saber impor seus desejos, explicando suas expectativas, sem ferir ou exigir algo do outro. Pode ser pior para a relação. Além disso, às vezes é preciso admitir que o sentimento do outro mudou e pode não ser mais o mesmo de antes, diz.

As pessoas que não querem, ou não sabem, como conduzir esse diálogo, podem tentar ainda agir na prática, tentando retomar as atividades do começo do relacionamento, quando a paixão era mais forte. Se faz tempo que o casal não sai junto, proponha um programa, invente uma desculpa para ficarem juntos. Mas é claro que um diálogo aberto pode facilitar mais as coisas, ressalta.

O fim em sete fases

Segundo a socióloga Diane Vaughan, o casamento tem sete fases que precedem a separação:

Fase 1: O segredo - A idéia de separação começa a tomar forma e a parte insatisfeita tenta sugerir que o outro mude, seja voltando aos estudos ou emagrecendo.

Fase 2: As queixas - O insatisfeito passa a reclamar das coisas em casa e a comentar sobre o que lhe incomoda com terceiros.

Fase 3: A transição - Quem está descontente passa a achar os compromissos familiares chatos e começa a valorizar a vida de solteiro, fazendo novos amigos sem compromisso.

Fase 4: A incerteza - O insatisfeito passa a ter um humor oscilante pois tem sentimentos de infelicidade e culpa.

Fase 5: O confronto - As brigas surgem por qualquer coisa e a sensação de não pertencer mais àquele lugar cresce. Pode pedir a separação nessa fase.

Fase 6: A reconsideração - É a fase na qual o casal tenta ficar junto apesar da troca de acusações. Geralmente o que vai ser deixado pede uma nova chance ou faz chantagem.

Fase 7: A separação - As tentativas fracassam e pioram as coisas. Quem quer terminar se sente seguro de que está tomando a decisão certa e vai embora.

Fonte: Revista Veja