11 de julho de 2026
Geral

Problema continua sem solução. João Moraes, 62 anos, morreu ontem, depois de ter caído no buraco no último dia 15.

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

João Moraes Filho morreu ontem, 15 dias após ter caído na erosão da avenida e ter sofrido perfuração de pulmão

A avenida Waldemar G. Ferreira, que se transformou em um dos pontos críticos da cidade depois da formação de uma erosão a partir das chuvas de 8 de fevereiro passado, fez, ontem, mais uma vítima. João Moraes Filho, 62 anos, morreu, ontem, depois de ter caído na erosão, no último dia 15 de setembro. Ele teve fraturas expostas no ombro, cotovelo e punho, além de três costelas quebradas com a conseqüente perfuração do pulmão. Além de João Moraes Filho, que não resistiu aos ferimentos, outras duas pessoas morreram no local neste ano.

A família, parentes e vizinhos da vítima da erosão na avenida Waldemar G. Ferreira, que liga a Vila Nova Esperança à Vila Industrial, estão revoltados com a atuação da Prefeitura Municipal. Ontem, vizinhos contaram que muitas pessoas caíram no mesmo buraco, desde as chuvas de fevereiro passado, mas elas não fazem parte das estatísticas porque sofreram ferimentos leves. O filho da vítima de ontem, Fábio de Souza Moraes, de 27 anos, disse, no velório São Vicente, na Vila Independência, que tem muita gente que caiu e teve mais sorte que o meu pai. É um absurdo a Prefeitura ficar assistindo o problema enquanto as pessoas morrem em uma erosão no meio de uma avenida. Muita gente está caindo naquele local, mas eles não estão indo para a polícia porque a Prefeitura não age, não adianta.

Conforme Fábio Moraes, no dia do acidente, João Moraes Filho estava acompanhado de sua esposa, Maria de Souza Moraes. Eles tentavam atravessar o local da erosão a pé. O casal ia para um jantar familiar. O filho da vítima desabafou que o que mais nos deixa revoltados é que as chuvas agravaram o problema em 8 de fevereiro, os acidentes continuam e, mesmo tanto tempo depois, ocorreu mais uma morte e a Prefeitura não fez nada. Hoje eu estou no velório do meu pai. Não sei de quem pode ser amanhã. Isso é um absurdo. Uma vizinha, que também estava presente ao velório, defende que a Prefeitura seja responsabilizada por este acidente, assim como os demais. O que será que é preciso fazer para que o prefeito enxergue que decretar calamidade e ficar esperando dinheiro não salva a vida de ninguém, não vai trazer de volta o senhor João, disse uma senhora que pediu para não ser identificada.

Responsabilidade penal

O delegado do 1º. Distrito Policial, Dinair José da Silva, que preside o inquérito sobre o acidente ocorrido com João Moraes Filho, comentou, ontem, que o fato agrava a situação do Poder Público local diante da questão. O delegado abordou que, além das implicações relacionadas ao outro acidente, que fez duas vítimas fatais, este caso aconteceu agora em setembro, muito tempo depois da erosão ter destruído a avenida. Ainda assim, a Prefeitura não fez nada para resolver o problema.

Na avaliação de Dinair José da Silva, a Prefeitura tem sua situação agravada pelo inquérito. A situação se complica, porque decreto de calamidade pública não protege a vida das pessoas em uma erosão daquele porte e, infelizmente, ocorreu mais uma morte sem que a Prefeitura tivesse agido. Na órbita penal, a situação se complica para o Poder Público. Nós colhemos elementos no inquérito que informam que a Prefeitura foi informada pela Defesa Civil sobre o problema. Quanto à ocorrência da chuva no dia 8 de fevereiro, os dados do IPMet mostram que, diferentemente do que foi dito, a chuva foi previsível e, portanto, havia como antecipar as ações.

O delegado adiantou que vai apurar culpa concorrente no caso que gerou mais uma vítima. O buraco permaneceu depois de 8 de fevereiro e ainda permanece. A vida de uma pessoa não pode continuar sendo perdida enquanto o Poder Público espera verbas. É preciso resolver a questão e é isso que vamos levantar neste inquérito em função da morte de mais uma pessoa, falou.

Três vítimas da erosão

Com a morte de João Moraes Filho, ocorrido ontem, a erosão que destruiu a av. Waldemar G. Ferreira insere em seu histórico três mortes. No dia 4 de março deste ano, a erosão provocou a morte de duas irmãs, Eliane Costa e Viviane Cristina Costa.

No acidente, onde estavam as passageiras do Opala placas BPV 1504, de Bauru, o veículo foi conduzido por Gilson Gonzaga Melo, 25 anos. No inquérito foi apurado que, apesar da negativa do motorista, havia obstáculo obstruindo a pista e sinalização indicando a interdição da avenida por causa da erosão. Outra passageira, Mayara Juliana Leite dos Santos, 14 anos, ficou ferida.