10 de julho de 2026
Geral

Debate sobre conflito no Oriente aposta na paz entre judeus e palestinos

Ricardo Polettini
| Tempo de leitura: 4 min

A convivência pacífica entre judeus e palestinos é possível e necessária. Essa foi a tônica das discussões realizadas anteontem, no Teatro Veritas, na Universidade do Sagrado Coração (USC), no encerramento da Semana da Imprensa, organizada pelo Sindicato dos Jornalistas em Bauru. O tema proposto para o debate foi o que a imprensa internacional não divulga sobre o conflito no Oriente Médio.

Participaram da mesa representantes do Grupo Shalom Salam Paz, formado por membros das comunidades árabes e israelenses no Brasil. Mediados pela jornalista Elida Pires, representando o Conselho Estadual da Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), expuseram seus pontos-de-vista o engenheiro civil Emir Mourad, representando a sociedade palestina ao lado de Souheil Sayegh, ex-presidente da Federação Palestinos do Brasil, e Max Altman, membro do Conselho de Política Externa da Secretaria de Relações Internacionais do PT, representando a comunidade israelense no País. Em seguida, a mesa ficou aberta às perguntas do público, formado essencialmente por estudantes de Comunicação.

O debate teve início com a exposição de um manifesto do Condepe, pela jornalista Elida Pires. Em suma, o texto pedia que os radicalismos, fanatismos e sede de poder não suplantem o advento da liberdade, justiça e respeito à vida.

Atentados

Emir Mourad foi o primeiro a se pronunciar. Sobre a cobertura jornalística quanto as questões que envolvem o Oriente Médio, ele observou que imprensa, na grande parte dos casos, só se interessa em divulgar tragédias, morte, sangue e terrorismo. Quando é para divulgar a cultura palestina, a cultura árabe, em que a civilização árabe contribui no dia-a-dia do povo brasileiro, poucas vezes ou quase nunca a gente é chamado para falar dos dias de festa, dias de dança, culinária. Sempre procuram aliar o mundo oriental como um mundo bárbaro, não-civilizado, repleto de fanáticos e terroristas. Esta é, realmente, a grande lacuna da imprensa em geral, mas é evidente que existem as exceções.

Mourad criticou a maneira como o presidente George W. Bush vem conduzindo a crise atual evidenciada com os atentados nos Estados Unidas, no último dia 11. Para ele, o presidente norte-americano se aproveitou da aprovação popular que conseguiu nos últimos dias no estilo mais cowboy possível.

O presidente Bush foi eleito de maneira pouco ortodoxa, ganhando na Justiça. Ele entrou muito fraco em termos políticos e agora tem 90% de aprovação. E gente está percebendo que ele está tentando desfrutar desta popularidade no estilo mais cowboy possível, tipo procura-se vivo ou morto ou quem não está comigo está contra mim. Esse maniqueísmo eu considero, assim como muitos jornalistas e a opinião pública, como pouco construtivo para as relações internacionais e para uma nova fórmula de ordem internacional.

No seu ponto-de-vista, Mourad espera que o choque ocorrido principalmente em Nova York sirva para a construção da paz. Eu acredito que esse choque que nós tivemos em Nova York deva servir para uma virada na história, mas uma virada que produza algo qualitativo e que resulte em avanços na política externa norte-americana, pois essa política tem causado injustiças ao redor do mundo. Não é o bem contra o mal, nem o mal contra o mal. A gente quer colocar a coisa em outro enfoque, que possa contribuir para construirmos uma mensagem diferente para todos os povos e nações do mundo.

Para ele, o estabelecimento da paz depende de alguns pontos fundamentais: o fim da ocupação militar na região; o desmantelamento dos assentamentos; a imediata retomada das negociações e que as fronteiras sejam perfeitamente delineadas, como já o foram segundo diversas resoluções da Organização das Nações Unidas.

Convivência pacífica

Max Altman, representando a sociedade israelense, primeiramente enfatizou os interesses geopolíticos que os EUA têm na região, rica em petróleo, principal fonte de energia e combustível para o progresso norte-americano. Também destacou o papel de Israel como fundamental na manutenção das disputas internas e regionais, de forma a preservar a influência e poder de decisão dos EUA no Oriente Médio.

Em seguida, expôs a necessidade e a possibilidade da convivência pacífica dos povos judeus e árabes no mundo. Foi a convivência de judeus e muçulmanos na península ibérica que possibilitou essa riqueza cultural que até hoje é válida. Na própria Palestina, durante séculos, houve uma convivência absolutamente pacífica. De maneira que não há nenhum fator fundamental que possa impossibilitar essa convivência. São fatores políticos que a impedem. É possível e necessária a convivência entre os judeus e o povo palestino, assim como é absolutamente necessário o estabelecimento de um estado palestino, defendeu.

Altman também lembrou a todos a necessidade não só de ser favorável à paz, mas também de lutar por ela.

Não é suficiente falar em paz, todo mundo é a favor da paz. Quando pregamos a paz, nós temos que lutar por ela, tendo por base um programa concreto efetivo para se alcançar.

Ato pela paz

Hoje, o Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, em conjunto com a Federação Nacional dos Jornalistas e o Grupo Shalom Salam Paz, com apoio do Conselho Estadual da Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, realizam o Ato pela Paz, às 19h30, no Espaço Vladimir Herzog, na sede do Sindicato em São Paulo. A sede fica na rua Rego Freitas, 530. Informações: (11) 257-1633.