08 de julho de 2026
Geral

Chuva alaga cela da Cadeia de Bauru

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

As telhas de amianto que cobrem o prédio estão quebradas, o que leva a infiltrações. Presos reclamam da situação.

Além da superlotação e das condições estruturais do prédio, consideradas inadequadas, a Cadeia Pública de Bauru, o Cadeião, está vivendo mais um problema: infiltrações e até alagamento durante chuvas. Várias telhas de amianto que cobrem o prédio estão quebradas, o que está permitindo a infiltração da água da chuva, através da laje. A cela 3 ficou alagada durante a chuva forte que caiu em Bauru anteontem à noite e madrugada de ontem.

Outras celas e demais repartições da cadeia também apresentaram infiltrações. Apesar de colchões, cobertores e roupas dos presos da cela 3 ficarem encharcados, eles continuaram ocupando o mesmo xadrez porque não há para onde serem transferidos. Vários presos disseram à reportagem do JC que passaram à noite em claro devido às goteiras.

Além das infiltrações deixarem as instalações dos presos ainda mais precárias, o delegado Jáder Biazon, que responde pelo expediente da Cadeia Pública, está preocupado com a possibilidade de uma rebelião. Na madrugada de ontem, quando a cela 3 ficou alagada, os presos chegaram a ameaçar fazer rebelião, mas a situação logo foi contornada, segundo o delegado.

Ontem, depois de verificar que muitas telhas de amianto que cobrem o prédio da cadeia estão quebradas e sem verba para providenciar o conserto, Biazon enviou ofício comunicando a situação ao delegado Seccional, Antônio Ângelo Ciocca. À tarde, ele iria reunir-se com o juiz da Vara das Execuções Penais, Evandro Kato, para comunicar que a cadeia está sofrendo alagamento.

Ontem à tarde, a Cadeia Pública de Bauru abrigava 160 presos, distribuídos em onze celas. O número de detentos não é recorde, mas ainda está bem acima do limite máximo determinado por portaria judicial, que é de 108. Biazon disse que as telhas devem estar quebradas já há bastante tempo, mas o problema só aparece quando chove forte.

A reportagem constatou que no telhado do Cadeião, no lugar de algumas das telhas quebradas, foram colocados pedaços de lona plástica, uma tentativa de evitar infiltrações, o que revela que o problema é antigo. Na cela 3, que ficou alagada na madrugada de ontem, estão 16 pessoas, das quais dez dormem no chão.

As autoridades policiais e vários segmentos da sociedade, há bastante tempo, apontam a necessidade da construção de outro prédio, maior e fora da área urbana, para substituir o Cadeião, obra que já tem cerca de 50 anos. O Departamento de Polícia Judiciária do Interior-4 (Deinter-4) solicitou ao Governo do Estado, no início do ano, a construção de um Centro de Detenção Provisória (CDP) em Bauru.

O CDP, se construído nos moldes de outras cidades, terá cerca de 700 vagas, suficientes para abrigar os presos provisórios de Bauru e das demais cidades que compõem a área da Delegacia Seccional. Essas cidades também estão com suas cadeias superlotadas, a maioria com presos de Bauru.

No entanto, ainda não há previsão de início de construção do CDP em Bauru. A obra já foi aprovada, mas, segundo o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), a luta agora é para que seja incluída no orçamento de 2002. A sugestão do Deinter-4 é que o CDP seja construído em terreno do próprio Estado, próximo às penitenciárias I e II ou do Instituto Penal Agrícola (IPA).