08 de julho de 2026
Geral

Ceasa: ação foi planejada, diz inquérito

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Delegada Cláudia Armani deverá encaminhar conclusões ao Fórum ainda hoje. Mentor do crime ainda está foragido.

O assalto à Distribuidora de Frutas Tazaki, no dia 24 de setembro, no Ceasa de Bauru, foi planejado no final de semana anterior, na cidade de Pederneiras, por Valdecir Santos, Enéas Pinto Palma e Rubens Moscatelli. O chapa, Valdecir Aparecido dos Santos, 30 anos, foi o mentor do crime que resultou na morte de Rubens Moscatelli, integrante do grupo. Esta é uma das conclusões do inquérito que deve ser enviado hoje para o Fórum de Bauru pela delegada Cláudia Garms Armani, responsável pelo caso.

Santos, que está desaparecido, foi quem deu todas as coordenadas aos dois colegas sobre a possibilidade da prática de um assalto na distribuidora de frutas Tazaki, onde ele havia trabalhado no descarregamento de frutas. Ele achava que no caixa do estabelecimento havia cerca de R$ 9 mil. O dinheiro que fosse arrecadado no roubo seria dividido entre os três.

As investigações desenvolvidas pelo 4.º Distrito Policial ouviu várias pessoas para chegar a esta conclusão, explica a delegada Cláudia Armani. A sogra e a cunhada do Enéas confirmaram que no final de semana anterior ao assalto, Rubens e Valdecir estiveram em sua casa conversando com seu genro. A cunhada garante que ouviu parte da conversa e que eles falaram em bala de revólver.

Interrogatório

Na última terça-feira, Enéas Palma foi interrogado novamente, na Cadeia pública de Bauru, onde ele está preso. Diante das descobertas feitas pela polícia, ele admitiu que o chapa Valdecir foi quem orientou a todos sobre a movimentação do boxe de frutas, sobre o esquema de segurança da portaria e sobre o dinheiro no caixa.

Durante o planejamento, ficou estabelecido que Valdecir arrumaria uma arma, Éneas faria o assalto e Rubens daria fuga, segundo contou Palma à polícia. Na segunda-feira, dia 24, Valdecir veio para Bauru por volta das 8 horas. Enéas e Rubens vieram por volta das 9, de moto.

Palma ainda contou que o trio se encontrou próximo ao Ceasa. Valdecir foi buscar a arma em local desconhecido dos demais e retornou rapidamente. Entregou o revólver para Enéas, que foi à pé para o Ceasa. Ele entrou pela porta de saída que encontrava-se aberta. Rubens, com a moto, entrou pela porta de entrada.

Os dois se encontraram próximo ao boxe de frutas. Enéas entrou para praticar o assalto e a moto se posicionou atrás de uma caminhão, para não ser vista. Com o dinheiro na mão, Éneas pulou na garupa da moto, que estava funcionando.

O lavrador Enéas Pinto Palma, 23 anos, não tinha idéia do que era praticar um assalto. Era primário e nunca havia experimentado tal situação. Confessou que estava extremamente nervoso. Segundo a delegada, o lavrador disse que os três estavam muito nervosos.

Ao pular na garupa da moto, o lavrador não observou que a arma estava engatilhada. Ele conta que o disparo foi acidental, comenta Cláudia Armani.

De acordo com ela, Enéas só percebeu que o tiro tinha atingido o motociclista quando a moto caiu. Ele lembrou que a moto estava andando em zigue-zague, mas ele achou que o amigo estava nervoso. Só quando a moto caiu é que ele percebeu que o Rubens tinha sido atingido pelo tiro.

Depois de ver Moscatelli no chão, Enéas fugiu. Se juntou ao Valdecir que estava do lado de fora do Ceasa e foram para o Geisel, na casa de um parente do chapa. O dono da casa, tio de Valdecir, realmente não sabia de nada.

Enéas foi preso no Geisel. Valdecir passou em Pederneiras e fugiu com a amásia, provavelmente para o Estado do Paraná. Cláudia Armani diz que já foi pedida a prisão preventiva de Valdecir. O Enéas foi preso em flagrante.

Uma semana antes

Uma semana antes do assalto, a vítima, uma das sócias da distribuidora de frutas viu Valdecir, o ex-chapa, passando pelo boxe e andando pelo Ceasa. Ela contou isso em depoimento à polícia. Ela admitiu ainda que o chapa trabalhou por um tempo para eles.