11 de julho de 2026
Geral

Crise na aviação civil mundial será superada, afirma Ozires

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

A aviação civil mundial vai superar a crise deflagrada pelos atentados às torres do World Trade Center, em Nova York. A afirmação é do presidente da maior companhia aérea brasileira, a Varig, Ozires Silva. Bauruense nato, Ozires participou, terça-feira, do seminário Educação Brasileira e Responsabilidade Social das Empresas, patrocinado pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE). Antes de se dirigir ao Teatro Municipal, sede do evento, ele concedeu a seguinte entrevista ao Jornal da Cidade:

Jornal da Cidade - A aviação civil e o mundo não são mais os mesmos depois dos atentados terroristas de Nova York e Washington. Qual é o futuro da aviação civil depois do trágico dia 11 de setembro?Ozires Silva - Isso surpreendeu a todos nós. A violência não tem limites. Mentes doentias podem produzir coisas dessa natureza. É difícil compreender como pessoas podem matar tanta gente sem conhecer, sem saber quem são. Em particular, a área da aviação foi o grande alvo. Um pacífico avião comercial transportando pessoas se transformou numa arma usada por pessoas dominadas pelo fanatismo. O impacto será muito grande. O transporte aéreo é algo que veio ao mundo para ficar. Pode variar o avião, pode variar a companhia, pode variar as pessoas, mas o transporte aéreo será absolutamente requerido no futuro. E só espero que consigamos superar os problemas todos que isso causou, dentre os quais o receio dos passageiros, da insegurança, dos aumentos de custos, das críticas que foram levantadas. Acho que vamos precisar de muita compreensão de todos.

JC - O senhor está na aviação há 53 anos. Na sua opinião, os terroristas que assumiram o controle dos quatro aviões envolvidos no atentado do último dia 11 foram bem treinados?Ozires - Bem treinados não precisa. Mas, eu diria treinados e familiarizados com avião. Quanto a isso não há a menor dúvida. Treinados, inclusive, com assessoria de pessoal que entende de aerodinâmica. Fazer uma colisão de propósito com um avião envolve certos conhecimentos aerodinâmicos que os pilotos, em geral, não tem. No avião, no fundo, a única coisa que a gente tem que fazer é conhecer os seus sistemas e o resto é pé e mão. E pé e mão a gente aprende em Paulistinha (modelo de avião), em aviões menores.

JC - O usuário de avião, de um modo geral, ficou receoso de utilizar o transporte áereo depois dos atentados. No senhor, particularmente, que passa boa parte do tempo nos céus do Brasil e do mundo, qual foi a sensação ao pisar num avião após os atentados. Foi de medo?Ozires - Absolutamente não. Dentre todos os meios de transportes disponíveis no mundo o avião é o mais seguro e só perde para o elevador. Eu acho que as pessoas deviam fazer o sinal da cruz não só ao entrar no avião, mas quando entram num automóvel, num ônibus, antes de pilotar uma motocicleta, onde o próprio condutor é o paralama. As pessoas não devem ter medo. A aviação civil é um trabalho extraordinário. Acho que essa segurança do avião, hoje, é um tributo à capacidade humana de criar produtos confiáveis. É tão raro um acidente de avião que quando ocorre um lá na Indochina dá manchete de jornal em Bauru.

JC - As companhias áereas já falam em pilotos armados, em blindagem de cabines. O senhor acha que essas medidas vão colaborar para aumentar a segurança dos vôos?Ozires - Eu creio que nada disso vai funcionar. Se eu fosse o piloto, qual seria meu comportamento ao saber que está havendo um massacre lá fora e estou preso na cabine blindada? As pessoas normais não reagem favoravelmente a isso. Eu diria que a coisa não pode ser feita com paranóia, mas com bastante racionalismo. Nós temos que tomar as medidas preventivas e operacionais necessárias.