09 de julho de 2026
Geral

SPC indica que houve queda nas vendas

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 2 min

Uma redução de 11,58% nas consultas ao órgão aponta que, pelo segundo mês seguido, as vendas foram menores.

O número de consulta ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) teve uma queda de 11,58%, em setembro, se comparado com agosto, baixando de 47.294 para 42.300. Sérgio Evandro Motta, diretor do SPC-CDL, destaca que as consultas são um termômetro razoável de como estão as vendas do comércio e, assim, a queda, reflete a diminuição da comercialização no mês de setembro.

Além da queda de consultas, setembro apresentou uma alta de 2,87% no registro de novas inadimplências, subindo de 4.668, em agosto, para 4.802. A quantidade de positivações, ou seja, cancelamentos de registros, apresentou uma queda de 45,06% no mês passado, quando atingiu 2.276, contra 4.143 de agosto.

Na comparação de setembro com o mesmo mês do ano passado, as consultas tiveram uma queda de 10,56%, enquanto os registros de novas inadimplências aumentaram 12,73% e as positivações cresceram 7,51%.

De acordo com Motta, os lojistas têm parâmetros de consulta que não variam muito. Assim, se há queda nas consultas do SPC, é sinal que houve redução de vendas ou, pelo menos, nas pessoas interessadas em comprar.

O delegado da região de Bauru do Conselho Regional de Economia (Corecon), Reinaldo César Cafeo, acredita que os números do SPC-CDL realmente representem uma queda no nível de atividade econômica. Com todo esse ambiente nervoso, as pessoas estão procurando manter a cautela, e comprando menos ou comprando à vista, afirmou.

Cafeo analisa que, pelos números apresentados pelo SPC-CDL, além das pessoas não estarem comprando, também não estão conseguindo honrar seus compromissos. Entre comer e pagar uma prestação, as pessoas estão preferindo comer. Além disso, os carneístas, aquelas pessoas que costumam comprar a prazo estão muito preocupados com o valor da prestação e pouco com a taxa de juros, que os leva a pagar quatro ou cinco prestações a mais, dependendo do plano de financiamento, afirmou, lembrando que isso é um indicativo de que a população está empobrecendo e não sendo capaz de honrar sus compromissos.

Para o delegado do Corecon, a continuar esse quadro, haverá uma tendência das pessoas utilizarem o 13.º salário para pagamento de dívidas e não direcionar para o consumo. O 13.º, que poderia ser o momento da concretização do sonho de consumo, vai novamente migrar para o acerto de problemas financeiros, demonstrando que a população, de forma geral, está endividada, destacou.

Natal

Para o diretor do SPC-CDL, a retração nas vendas, nos últimos dois meses, causada pela conjuntura econômica e pelas notícias negativas nesta área, que intimidaram os consumidores, não devem refletir nos resultados do final do ano. A previsão é que os lojistas mantenham suas compras para o período natalino.

Motta acredita que a expectativa para as vendas do período de Natal continua positiva. Para ele, no último trimestre do ano, a tendência é de melhora na comercialização.