Sérgio Macedo explicou os contratos firmados com as empresas Serec e Waterloo e as diferenças com os serviços da Fundeb.
Os depoimentos realizados ontem na CEI do DAE levantaram explicações sobre os contratos firmados pela autarquia, em 2000, para o monitoramento do aquífero e o projeto de tratamento de esgoto na cidade, respectivamente com as empresas Waterloo e Serec. O ex-presidente do DAE, Flávio Uchoa, e o atual, Sérgio Macedo, comentaram as dúvidas lançadas pelo ex-presidente João David Felício nos valores pagos pela autarquia pelos serviços. Entre os depoentes, Sérgio Macedo foi quem deu mais informações técnicas sobre os serviços. Na avaliação, ele disse à CEI que os contratos divergem das propostas de serviços apresentadas pela Fundeb em valores muitas vezes menor que o pago pelo DAE.
Sérgio Macedo fez o depoimento mais técnico entre os realizados ontem. Entre as abordagens, ele definiu que o contrato firmado com a Fundeb para implementar modelo computacional para expressar o comportamento dinâmico do aquífero em Bauru foi feito para monitorar apenas cinco poços. Macedo comentou que o contrato de R$ 13.200,00 incluía o desenvolvimento de uma tecnologia baseada em redes neurais que seria testada pela Fundeb. Além disso, a proposta relacionava a vazão e o nível do aquífero para apenas um poço profundo por vez.
O presidente do DAE também disse que esse trabalho, que acabou sendo rescindido com a Fundeb sem ônus para a autarquia, considerava um modelo matemático para um aquífero confinado, isotrópico e homogêneo, sendo que as características subterrâneas da cidade eram diferentes do proposto. Ou seja, Macedo afirmou que o trabalho da Fundeb era pontual e, além disso, a fundação não tinha geólogos em seu corpo. Considerei que seria uma situação muito arriscada experimentar o projeto da Fundeb ainda em fase de elaboração para estudos do aquífero em se tratando de prever seu comportamento.
Em relação à contratação direta da empresa Waterloo, por notória especialização, ao valor de R$ 92.742,00, o presidente da autarquia declarou à CEI que era a única empresa no Brasil e, quem sabe, na América Latina, para fazer o serviço realizado, que considera todas as características do sistema, hidrológicas e geológicas, que monitora todos os poços, públicos e privados, além de todo o aquífero além fronteiras do município. Foram feitos cenários de até 50 anos para frente no estudo. Na terça-feira passada, o ex-presidente João David Felício afirmou que os serviços feitos pela Waterloo seriam os mesmos propostos pela Fundeb, só que por um valor muito inferior.
Macedo ainda respondeu que, apesar do DAE não ter perfurado nenhum novo poço após 1999, não havia nenhuma garantia de que a tecnologia proposta pela Fundeb para o trabalho iria dar certo. A Waterloo promove este gerenciamento em várias partes do mundo. O trabalho da Fundeb era uma hipótese. A decisão foi acertada, madura, declarou. O presidente da CEI, Paulo Madureira (PPB), indagou se foi acertada a decisão de contratar uma empresa para um levantamento que seria utilizado no futuro em um momento em que o DAE tinha muitas dívidas e falta de dinheiro em caixa. Sérgio Macedo comentou que o déficit foi reduzido de 18% para 2,9% em um ano e a contratação era estratégica.
Antes de Macedo, o ex-presidente Flávio Uchoa já havia declarado, em seu depoimento, que os contratos tinham objeto diferente, embora a descrição sintética feita no extrato do documento tenha sido igual.