09 de julho de 2026
Geral

O projeto propõe a criação de um complexo de lazer e comércio que uniria o Calçadão com a Praça Machado de Mello e o prédio da antiga NOB.

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

O grupo Marca, Gadelho e Associados apresentou ao prefeito Nilson Costa projeto ambicioso para revitalizar a área.

Um projeto ambicioso, que prevê um investimento total de cerca de US$ 4 milhões para revitalizar a velha e abandonada Estação Ferroviária de Bauru, em um complexo que pretende unir o Calçadão com a Praça Machado de Mello e o prédio da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB). Este foi projeto apresentado ao prefeito Nilson Costa (PPS) pelos representantes do grupo Marca, Gadelho e Associados, em São Paulo, anteontem. A proposta de investimento estava sendo guardada em segredo há 90 dias, desde que Avelino Cortelini, do grupo Marca, começou a estudar o assunto junto com o vereador Renato Purini (PV).

Ontem, Avelino Cortelini contou ao JC, por telefone, com exclusividade, a proposta de empreendimento que nasceu com o nome de Centro de Entretenimento e Cultura Estação Bauru (Ceceb). A idéia surgiu de um contato com o vereador Renato Purini há três meses. Durante uma discussão sobre a deterioração do prédio da NOB e, junto com isso, a dilapidação do patrimônio histórico local, o vereador levou o empresário para uma visita às instalações.

Dali surgiu o embrião do projeto, apresentado em definitivo anteontem. Cortelini adiantou que nós investimos R$ 38,8 mil só no levantamento e na pesquisa do prédio para o projeto, levando-se em conta as variáveis estruturais, financeiras e de mercado. Esse investimento foi por nosso risco. Para isso, exigimos como contrapartida que o projeto fosse mantido em segredo até agora.

Conforme o projeto, o grupo não quer fazer do investimento concorrência predatória com a rede comercial estabelecida no centro da cidade. Ao contrário, o projeto visa integrar o empreendimento com o centro da cidade, proporcionando a tão sonhada revitalização da região. Para tanto, está a remodelação da frente do prédio da estação, que inclui o uso da faixa da rua com estacionamento. Com isso, o projeto estabelece a junção física do empreendimento com a praça, que também seria remodelada. Uma das propostas é solicitar à Prefeitura que elimine o tráfego de veículos em frente à estação, deixando a circulação para as ruas laterais à praça do outro lado. Outra sugestão apontada é eliminar o tráfego em todas as laterais da praça.

Pelo projeto, esta situação vai interligar fisicamente o empreendimento com a Praça Machado de Mello e o Calçadão da Batista de Carvalho. O projeto ainda inclui a preservação da fachada da estação, das áreas tombadas internamente conforme a legislação e a interligação física também do prédio com um estacionamento vertical com estrutura metálica projetado para a área à esquerda, do lado de dentro do pátio operacional, nas proximidades com o início da avenida Pedro de Toledo. O estacionamento teria ligação física direta com o prédio da estação pela sua lateral.

O empreendedor Avelino Cortelini comentou que o grupo tem consciência que as instalações da ferrovia estão deterioradas, que o prédio tem que sofrer profundas modificações estruturais, no sistema elétrico, hidráulico, etc. O investimento tem custo estimado em US$ 4 milhões exatamente em função dessas necessidades, das modificações, das novas obras e do valor a ser pago para o Sindicato dos Ferroviários, que detém a penhora da área, comentou.

O diretor do Sindicato dos Ferroviários, José Carlos da Silva, também participou da apresentação do projeto, em São Paulo. Ele avaliou como excelente a proposta. Se o projeto for viabilizado, e o empreendedor apontou aporte financeiro para isso, será um bonito cartão postal para Bauru, além de um empreendimento que recupera de vez a sofrida região central da cidade. Outro ponto importante é que o projeto preserva a estação, as linhas, o que possibilitará, no futuro, instituir o metrô de superfície ou até abrir caminho para linhas especiais do transporte coletivo.

O sindicalista disse que os empreendedores já estão iniciando a negociação formal para a aquisição do prédio, que tinha sido orçado em R$ 3,6 milhões pela CEF. Para tanto, o Sindicato dos Ferroviários tem que fazer incursões junto à RFFSA para que ela disponibilize o prédio como forma de eliminar ação judicial entre as partes já julgada. A Rede tem interesse em resolver a pendência judicial e o prédio foi dado como garantia na ação e o sindicato tem interesse em resolver a angústia de 1.467 pessoas que esperam uma definição sobre o assunto. A compra é uma ótima opção e estamos abertos para a negociação, disse Silva.