08 de julho de 2026
Geral

CARDIA COM MEDO

José Zonta Júnior
| Tempo de leitura: 3 min

É verdade, Cardia está com medo, mas nem pensem que estou me referindo ao combativo delegado de Polícia titular da DIG-Garra, a quem pedimos socorro neste momento. Refiro-me ao bairro de idêntico nome cujos moradores andam assustados com a onda de violência, assaltos e roubos a farmácias, padarias e posto de gasolina, e atemorizados por uma gang que espanca e constrange adolescentes, sitiando-os em suas casas. Dia desses, meu filho foi cruelmente surrado por quatro homens. Seus colegas, todos adolescentes entre 13 e 15 anos, lograram fugir, mas meu filho não teve a mesma sorte, pois os bandidos desceram de um carro que os seguia e abruptamente desfilaram golpes, bateram, lesionaram e por fim avisaram que não queriam folgados no pedaço deles. Como ex-policial, investiguei, pesquisei e identifiquei os autores. Trata-se de um grupo racista e neonazista vinculado a conhecidos traficantes que vendem drogas e entorpecentes à porta das escolas Santa Maria e Luiz Zuiani e exercem autoridade paralela como imaginávamos acontecer somente nas favelas e morros cariocas. Descobri que cobram pedágios dos jovens para permitir-lhes a locomoção e o trânsito em vias públicas em afronta ao direito de ir e vir e à plena cidadania. Já incendiaram casas, surraram moçoilas, negros e prostitutas nas imediações do Cemitério da Saudade e espancam rapazes que não consomem seus produtos e se negam a submeter-se aos seus caprichos e a consumirem produtos tóxicos que vendem e assim provocam o pânico e o medo, obrigando jovens a refugiar-se no interior das próprias casas e a abandonarem as escolas. Vi um deles, ousado, rondando minha casa e o abordei. Indagado, confirmou ascintosamente seu impiedoso e animalesco gesto, e prepotente mandou-me ficar calado senão as coisas podem piorar. Sobre os motivos, confirmou arrogante, que não quer folgados na sua área.

Os fatos foram registrados em B.O, os dados e informações transmitidos aos delegados do 4.º D.P. - DISE e Plantão Policial do dia 9/9. Pormenores e detalhes, foram passados ao tenente Kitazume que na oportunidade comandava interinamente a 1ª Cia. da Polícia Militar. Porém, todavia, contudo nada se pôde ou se quis fazer que fosse além do simplório registro, pois as polícias são reféns da burocracia processual e da legislação penal tacanha elaborada pelos áulicos de Brasília tão distantes da problemática da violência, e a população, bem, esta é refém de assaltantes, vadios, traficantes, que espalham o medo e o terror como nos morros cariocas. E eu que pensava que traficante mandava somente no Rio de Janeiro. Se isto ocorre aqui, a menos de cem metros de um batalhão da Polícia Militar, imaginemos os bairros distantes e concluiremos que o caos da insegurança pública já se instalou. São homens de bem, pessoas honestas e trabalhadoras à mercê da própria sorte e encurraladas por bandidos.

Mas é preciso lutar, protestar e pedir providências das autoridades, dos líderes de associações de moradores e políticos. Não vamos nos abater. Lembremo-nos da frase do mister Churchil quando disse: A Inglaterra venceu a batalha porque, aqui, os homens honestos têm tanta ousadia e coragem quanto os vilões e assassinos. Que os promotores de Justiça nos ajudem, que o meu lamento de dor e tristeza seja ouvido, que atitudes e providências sejam tomadas. (José Zonta Júnior - OAB 131.885)