08 de julho de 2026
Geral

Gafes na cama

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 9 min

Incidentes na hora H podem comprometer os momentos de prazer a dois.

Não é só o comportamento feminino mais agressivo que espanta os homens na hora do sexo. Às vezes, o susto vem por algum deslize cometido involuntariamente pela parceira. Nesse caso, ambos os sexos estão sujeitos a cometer esse tipo de gafe na hora H, que pode ser tanto uma frase dita no momento errado, como algum hábito pouco comum colocado em prática num momento de intimidade. Quando os parceiros ainda não se conhecem muito bem, a situação constrangedora é pior, mas nada impede que o fato seja tratado com naturalidade.

As livrarias possuem vários títulos, alguns mais outros menos sérios, sobre como ter prazer no sexo. Antes de recorrer a títulos como: 365 Maneiras de Enlouquecer Juntos na Cama, de James R. Petersen, publicado pela Ediouro, porém, o ideal seria procurar alguma publicação para saber como agir com outra pessoa na cama, um manual de etiqueta íntima. Esse tipo de livro é mais raro do que o anterior, mas existe. Um deles é Etiqueta da Sedução, de Célia Pereira de Souza Leão e Rochester Di Laurentis. O livro é um manual básico de convivência da paquera ao sexo e tem um capítulo especial sobre como o casal deve se portar na cama para proporcionarem apenas prazer um ao outro, e não decepções ou grosseria.

O que eles dizem:

Antes

Não tenha pressa de ir para a cama: se tudo der certo, seguramente a cama irá acontecer no relacionamento de vocês.

Conversar a dois, na cama, também requer cautela e sensibilidade. Mantenham um papo gostoso, leve, divertido - sejam uma boa companhia um para o outro.

Não existe regra nenhuma que diga que a posição x ou a posição y é a mais adequada, a mais elegante, a que deve ser usada. Vale tudo, desde que os dois concordem, achem natural, sintam-se à vontade, fiquem satisfeitos. Com o tempo, a intimidade aumenta, a busca da novidade para a plena satisfação dos dois também: com o tempo. Não espante o outro querendo praticar exercícios de contorcionismo explícito nos primeiros encontros: você pode ter cãibras e, literalmente, ficar em maus lençóis!...

Os homens e as mulheres, assim como quase tudo na vida, têm ritmos diferentes. É comum que os homens se satisfaçam primeiro que suas parceiras. Até aí, sem comentários. Duro são aqueles que sempre chegam ao orgasmo antes e esquecem de suas parceiras. É egoísmo, é incompetência para viver a dois: ele deve mudar ou ela, seguramente, vai mudar de parceiro.

Não espante seu par. No começo de um relacionamento tanto o homem quanto a mulher devem andar com cuidado, procurar conhecer um pouco mais o terreno onde pisam. Depois, soltem-se à vontade. Antes da hora você pode espantar o parceiro.

Aproveite a hora de colocar o preservativo para mais um jogo amoroso. Faça isso com charme, descontraidamente: é parte de nossas vidas usar a camisinha - faça disso um afrodisíaco já que é tão necessário o preservativo no sexo.

Cuidado também com a parafernália de acessórios na cama: depois de conhecer o terreno e perceber que seu par também é adepto dos pós afrodisíacos, pomadas e outras engenhocas, tudo bem. Antes, você pode acabar ficando na cama só. Você e toda a parafernália instrumental.

Na cama, a dois, vale tudo: e fica tudo ali mesmo, entre aquelas quatro paredes. Freio na língua ao comentar intimidades depõe contra sua pessoa e não contra seu parceiro. Mostra que você não é uma pessoa confiável pois, se comenta aos quatro ventos sua intimidade, que dirá a das outras pessoas...

Durante

Antes de começar a soltar sua porção obscena no sexo, conheça bem seu par e veja se isso não vai chocá-lo. E se isso é o molho da relação, sob seu ponto de vista e não sob o ponto de vista de seu par, leve o parceiro (a) a sentir a mesma coisa devagar, sem chocar. Se não funcionou, talvez seja hora de pensar em trocar de par, pois, nessa hora, a sintonia tem de ser sintonia fina...

Cama é lugar de descanso, de namoro, de amor enlouquecido. Deixe as lamúrias, as lenga-lengas, os problemas fora da porta do quarto. Nada é mais broxante que preliminares transformadas em problemas.

Depois

Não durma, é terrível. Dê atenção ao outro, expresse o quanto foi bom e gratificante (se não foi, disfarce), faça um esforço para continuar atento ao outro.

Televisão é distração interessante mas, na cama, a dois, desligue-a. Ou então você corre o risco de, depois de tudo, ficar preso ao último capítulo da novela.

Se problemas e lamúrias são terríveis como preliminares, depois do sexo então, nem pensar. Sobre problemas a gente pensa e tenta encontrar solução ou, se muito, divide nosso problema com o outro a fim de ouvir sugestões, aconselhamento. Não se reclama de problemas; resolvem-se os problemas.

Acordando

Diga bom-dia ao seu par e só isso. Deixe os beijos e os carinhos para depois, quando os dois já foram ao banheiro lavar seus rostos, escovar os dentes e fazer sua higiene matinal. Beijar alguém após uma noite de sono, e sem escovar os dentes, nem pensar. A menos que você não se importe de, no caso de um rompimento futuro, vir a saber que seu novo apelido é bafo-de-onça.

Controle seu mau-humor. Ninguém gosta de deitar-se com uma pessoa e acordar com outra de temperamento completamente diferente. Temperamento é algo que se pode lapidar, controlar, polir. Comece por desejar bom-dia ao outro por suas atitudes. É meio esquisito a gente ouvir bom-dia da boca de alguém que se parece com o terrível monstro do Lago Ness. Dá a impressão de que nosso dia vai ser horroroso, assustador e que o melhor a fazer é dormir de novo e acordar só no dia seguinte...

O banheiro, de novo: viver democraticamente é também saber dividir e dosar as coisas. Se o seu apartamento ou sua casa têm somente um banheiro, que tal saber usá-lo sem grande egoísmo? Não se instale no banheiro de mala, jornal do dia e tudo o mais - e se for muito difícil para você agir assim, mude-se para uma moradia com mais de um banheiro. Todo mundo (ou quase) tem horários a cumprir pela manhã: você não é a única pessoa do mundo com esse encargo.

Dia seguinte

Jamais agradeça: parece que ao invés de você ter dividido emoções, sensações com o parceiro na cama, ele fez um enorme favor a você!

Seja delicado(a) com seu par: diga que sua companhia é algo ímpar, diga-lhe o quanto está feliz, como é bom estar com ele - jamais agradeça a noite de sexo que vocês tiveram juntos: soa muito mal.

Quando um quer e o outro não

De acordo com os autores, quando um dos dois não quer manter relações sexuais, melhor que inventar subterfúgios como a famosa dor de cabeça ou alegar cansaço, o melhor é conversar com o parceiro. A melhor justificativa continua sendo a verdade. Pode ocorrer de um dos dois estar passando por problemas ou pressões na vida profissional, excesso de trabalho, stress: tudo isso costuma fazer com que haja uma baixa no apetite sexual, dizem. Uma temporada em que o sexo diminui entre o casal não significa necessariamente que a atração pelo parceiro esteja terminando, ou que o parceiro que não quer está rejeitando o outro. Com maturidade, conversando, usando de abertura e sinceridade: essa é a melhor maneira de explicar ao seu parceiro porque fazer sexo naquele momento seria inadequado, explicam Célia Leão e Rochester Di Laurentis.

Quando ele falha

Se o parceiro não consegue uma ereção, a mulher não deve encarar o fato como uma tragédia (ele já vai estar fazendo isso). Não significa que ela não é mais atraente aos olhos dele, nem que ele está caminhando, inexoravelmente, para a impotência. Os autores recomendam que ela seja compreensiva e aproveite para namorar um pouco, relaxando ao lado do parceiro, sem ficar tocando no assunto ou tentando justificar algo em nome dele. Se ela perceber que o que ele quer é ficar quieto, deve ser solidária e sensível a esse momento de seu parceiro, respeitando sua vontade sem dramas que não cabem no momento, afirmam. Cobranças também não devem ser feitas nessa hora. Aproveite para algumas horas de intimidade no banheiro; deixe-o só, como ele pediu.

Depois do episódio, o ideal é não comentar com ninguém, nem dar ao parceiro indiretas sobre o assunto. Até porque os autores não descartam a possibilidade de que a culpa pode ser da mulher e recomendam que ela se faça a seguinte pergunta: porventura estaria eu relaxando quanto aos cuidados ou gerando algum tipo comportamento broxante?.

Previna-se

Para evitar que qualquer coisa desagradável acontece antes, durante ou depois da relação sexual, o melhor que se pode fazer é prevenir-se. Isso inclui estar atento a todos os detalhes que podem causar algum constrangimento, como um simples furo numa peça íntima, por exemplo. Por isso antes de pensar em sexo confira se:

Suas roupas íntimas estão OK.

Se você não está cheirando suor muito forte. Cada pessoa transpira de uma forma e um pouquinho de suor pode ser até excitante para alguns, mas o exagero pode ser broxante.

Se o seu perfume não é muito forte, pois seu par pode ser alérgico (a).

Se o seu animal de estimação está devidamente preso. Ser atacado por um cão ou por um gato, mesmo que de brincadeira, durante o sexo não é nada excitante.

Caso acenda velas ou incensos, se não há risco de provocar um incêndio no local.

Caso possua um telefone celular, se o aparelho está desligado para não tocar justamente num horário indevido.

Diálogo e bom humor podem superar tudo

Muitas vezes é impossível disfarçar uma gafe quando se está entre quatro paredes com apenas uma pessoa. É nessas horas que a capacidade de brincar com os fatos e a cumplicidade devem prevalecer. Se algo de ruim ou estranho aconteceu e não dá para disfarçar, o melhor é falar sobre ele sem vergonha, afinal, foi um acidente, diz a psicóloga Ana Lúcia Garcia. Com uma conversa, na opinião da psicóloga, o casal pode superar melhor o fato e deixá-lo para trás e se for com bom-humor, melhor. Se eles não falarem nada, nem derem uma risadinha, podem levar essa frustração ou essa vergonha para relações futuras. Vão estar criando traumas para o futuro, explica.