Mesmo com tantos benefícios, a fibra ainda não foi incorporada à dieta da maioria das pessoas.
O consumo de alimentos refinados, desprovidos de fibras vegetais, já faz parte do estilo de vida da sociedade atual. Grande parte da população dos países desenvolvidos despreza as cascas de frutas e legumes, potenciais fontes de fibras vegetais e importantes reguladoras do bom funcionamento intestinal. Motivo pelo qual a maioria das constipações intestinais pode ser tratada com dieta e reeducação de hábitos alimentares.
Importância
A partir da década de 60, a ciência começou a investigar o papel das fibras, comprovando que em sociedades em que se consumiam mais fibras existia uma incidência insignificante de doenças como câncer de cólon, diverticulite, hemorróidas e outras. Deixar de consumir adequadamente alimentos ricos em fibras é reconhecidamente a causa mais freqüente da constipação intestinal crônica. A maioria dos pacientes que desenvolve câncer de cólon, diverticulite, hemorróidas ou fissura intestinal tem uma história ininterrupta de problemas ligados aos intestinos. Enquanto carboidratos, proteínas e gorduras são quebrados em partículas menores no processo de digestão e absorvidos pelo intestino, as fibras não são digeridas, por causa da estrutura da parede das células e sementes e atravessam o tubo intestinal, contribuindo para a formação do bolo fecal.
Uma dieta rica em fibras promove o aumento da massa fecal, produzindo fezes maiores e mais macias que fazem pressão nas paredes do intestino e são eliminadas mais rapidamente, o que é muito eficaz no tratamento de constipação e na prevenção de diverticulite. Além disso, a fibra dilui a concentração de substâncias tóxicas e carcinogênicas no intestino (por ação da fermentação produzidas pelas bactérias da flora intestinal) além de eliminá-las mais rapidamente, reduzindo o tempo de exposição do intestino a estas substâncias, o que ajuda a prevenir o câncer de cólon. Também aumentam a massa fecal pois retém muita água e formam um gel no intestino.
Atualmente, tem chamado a atenção de profissionais, o potencial das fibras solúveis em reduzir os níveis de colesterol sangüíneo. Mesmo com tantos benefícios, a fibra ainda não foi incorporada à dieta da maioria das pessoas. O Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos recomenda um consumo de 20 a 35 gramas de fibras por dia.
Atualmente existem no mercado produtos que normalizam, reeducam o intestino e atuam como uma fonte extra de fibras na alimentação e apresentam-se como formas eficientes no tratamento da constipação intestinal. Suas vantagens sobre os laxantes são inúmeras, entre elas destacam-se a melhora da consistência fecal, o aumento do peristaltismo e da motilidade intestinal, a normalização da função intestinal como mínima incidência de efeitos colaterais e a não formação de gases ou cólicas.
Intestino preso
Em geral, as causas que agravam a constipação intestinal são: dieta pobre em fibras, baixa ingestão de líquidos, falta de exercícios, uso de medicamentos prejudiciais à flora intestinal, diabetes, estresse, ignorar o desejo de defecar, desequilíbrios metabólicos e uso crônico de laxantes. Isto se torna mais comum ainda nos idosos, que normalmente perdem a sensação de sede com a idade, ingerindo menos líquidos e passam a usar laxativos regularmente. Recomenda-se que as pessoas idosas com constipação intestinal sejam tratadas com a ingestão adequada de líquidos, diariamente, e um laxativo formador de massa.
A constipação intestinal também é freqüente durante o período de gestação. Vários fatores decorrentes da própria gravidez contribuem para o aparecimento do problema: a progesterona, atuando sobre a musculatura do trato gastrintestinal torna os movimentos do intestino mais lentos, o que leva ao endurecimento das fezes. O aumento do útero exerce pressão nos intestinos (especialmente no final da gestação), dificultando a eliminação fecal. Em geral, as grávidas consomem suplementos de vitaminas e minerais, que podem conter ferro e cálcio, elementos obstipantes. Em grande parte dos casos, o bloqueio costuma surgir a partir do terceiro mês de gravidez. Não são recomendados o uso de laxativos irritantes para gestantes devido a sua excreção no leite materno. É comum o uso de laxativos irritantes na tentativa de resolver os problemas causados pela constipação intestinal. São produtos de fácil acesso, bastante populares, mas que deveriam ser os menos utilizados. Alguns agentes desse tipo são o óleo de rícino, cáscara sagrada, sena, picossulfato de sódio, bisacodil, fenolftaleína e outros. Esses estimulantes intestinais têm ação de 6 a 12 horas após a ingestão e podem causar cólicas e diarréia. Seu uso crônico leva à dependência e à deterioração da função intestinal normal. A experiência clínica mostra que, se alguém não permite a defecação quando os reflexos aparecem ou faz uso abusivo de laxativos, os reflexos passam a ser progressivamente menos fortes após determinado período, e o cólon perde o poder da contração. Essa prática inibi os reflexos de defecação normais.
O ideal é restabelecer o hábito intestinal normal sem o uso de laxativos. Corrigir a ingestão de fibras pode por si só resolver a questão.
Como adicionar fibras na alimentação diária
Adicionar alimentos ricos em fibras em sua dieta pode ser fácil e conveniente. A nutricionista Cristina Martins deu algumas dicas: você pode começar substituindo alimentos que agora consome e que são pobres em fibras por alimentos ricos em fibras. Porém, não consuma toda a quantidade recomendada em uma única refeição e não baseie-se em um único alimento.
Para maior benefício, uma variedade de alimentos ricos em fibras devem ser consumidos durante o dia.
Lembre-se: a quantidade de fibra difere de um alimento para outro. A concentração mais alta de fibras é encontrada em farelos (a cobertura externa de sementes e grãos). A regra geral é incluir pelo menos uma porção de farelo ou grão integral em cada refeição. Além disso, três porções de hortaliças cruas ou frutas frescas todos os dias também oferecem as fibras necessárias.