A implantação da Corregedoria da Polícia Civil em Bauru deve reduzir o quadro de delegados, já pequeno, na cidade.
A instalação da Corregedoria da Polícia Civil em Bauru, já em processo adiantado, pode causar a redução de quatro delegados, cinco escrivães e dois investigadores que hoje estão a serviço da Delegacia Seccional, ou seja, trabalhando no combate ao crime. Os convites já foram feitos para que os funcionários deixem os cargos que ocupam para trabalharem na apuração de infrações cometidas por seus colegas.
Para montar a corregedoria do Departamento de Polícia Judiciária do Interior-4 (Deinter-4), segundo a corregedora substituta Carlinda de Almeida, serão retirados funcionários de todas as seccionais pertencentes ao Deinter-4, desde que eles concordem em ser transferidos. O que ela não soube explicar é porque dos oito delegados que deverão trabalhar na corregedoria quatro seriam da Delegacia Seccional de Bauru.
Quem concordar com a transferência poderá deixar de trabalhar com o estresse das delegacias para apurar se houve ou não envolvimento de algum carcereiro numa fuga de presos, por exemplo. Em Bauru, extra-oficialmente, sabe-se que, no mês passado, não foi instaurado nenhum inquérito.
Mesmo assim Bauru terá que contribuir com 50% para o quadro de funcionários da corregedoria. Sabe-se que o delegado Ciro Bonilha já foi nomeado corregedor.
A corregedoria teria convidado quatro delegados, cinco escrivães e dois investigadores para compor o quadro e iniciar seus trabalhos. O prédio para a instalação já foi disponibilizado através de um convênio entre a Prefeitura de Bauru e a Secretaria de Segurança Pública.
As instalações já passaram por reformas e devem ser ocupadas no máximo em 60 dias. Ao contrário, o convênio será suspenso. Caso os convidados aceitem, o já minguado quadro de funcionários das delegacias ficará ainda menor.
Uma pesquisa feita em 1991 verificou que a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru precisaria de 36 investigadores, seis escrivães e três delegados para atender uma cidade do porte de Bauru. Dez anos depois, a delegacia tem 20 investigadores, três escrivães e três delegados, sendo que dois deles foram convidados a trabalhar na corregedoria.
Caso eles aceitem o convite, a DIG de Bauru ficará com um delegado e cinco escrivães. A delegacia apura crimes de autoria desconhecida. O caso da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Bauru não é muito diferente. Para atender uma cidade como Bauru, a Dise teria que ter 36 investigadores, visto que é uma delegacia especializada em tráfico de drogas.
O número de investigadores não chega a 20% do que foi previsto - a Dise tem sete investigadores e três delegados. Um dos delegados da Dise foi convidado a compor o quadro da corregedoria. Outro acumula funções, trabalhando nas investigações de tráfico e sendo responsável pela Cadeia Pública.
Cidades sem delegado
A Delegacia Seccional de Bauru é responsável por 19 municípios, seis deles sem delegados. As cidades de Balbinos, Paulistânia, Iacanga, Ubirajara, Reginópolis e Presidente Alves não contam com delegados exclusivos. O delegado de Pirajuí, por exemplo, responde também pela delegacia de Balbinos.
Os plantões da Delegacia Seccional de Bauru são feitos por delegados de Bauru e região, que trabalham 12 horas sem receber pela jornada. Acumulam o trabalho das delegacias onde estão locados e, nos finais de semana, atendem a população no plantão. Em cidades como Campinas, por exemplo, há uma equipe que só faz plantão.
Na delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Bauru há vaga para mais uma delegada, porém não há pessoal disponível. Quando a titular entra em férias, outro delegado do município acumula a unidade. Na área do Deinter-4 existem 40 municípios sem delegados.