Para professor da Unesp, Estados Unidos não têm interesse em aumentar o ódio dos muçulmanos contra o ocidente.
A captura do terrorista saudita Ossama Bin Laden por comandos militares de elite norte-americanos significará o fim da operação de guerra montada pelos Estados Unidos no cenário desértico do Oriente Médio. A afirmação é do professor-doutor da Unesp de Franca Héctor Luis Saint Pierre, presidente do Centro de Estudos Latino Americanos (Cela), que abriga o Grupo de Estudos da Defesa e Segurança (Gedes).
Na última quinta-feira, Pierre fez uma palestra na Unesp de Bauru abordando o tema Guerra e Terrorismo. Para ele, os Estados Unidos precisam encontrar Bin Laden e capturá-lo para satisfazer a opinião pública norte-americana, sedenta por vingança pelos atentados terroristas às torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, e ao prédio do Pentágono, em Washington.
O professor afirma que a inteligência dos EUA já está atuando no interior do Afeganistão para localizar o terrorista e colocar em prática uma operação militar cirúrgica para capturá-lo. Os norte-americanos vão seqüestrar o Bin Laden e parar por aí. Será uma saída simbólica para esse pântano que os Estados Unidos estão criando no mundo árabe, uma região instável e irritada, avalia.
Pierre analisa que os EUA não conseguiram unanimidade na Europa e em outras região do mundo para viabilizar uma operação militar convencional contra o Afeganistão. Os norte-americanos estavam divididos entre as estratégias defendidas pelo secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, e pelo secretário de Estado, Colin Powell.
Elas são antagônicas. Apesar de ser civil, Rumsfeld é um falcão. Ele é bem diferente de Powell, que embora seja um militar da reserva, é uma pomba, diz o professor. Para ele, Powell está tentando abaixar a pressão, enquanto Rumsfeld aproveita a oportunidade para reforçar o orçamento militar dos Estados Unidos.
Há uma série de interesses que financiaram a campanha do presidente George W. Bush à Casa Branca. Mas precisa ser levado em conta que o afegão não é um povo como o iraquiano, que pode ser submetido, castigado, e não tem capacidade de reação. É um terrorismo que não tem pátria, que não tem território, que não tem frente de combate e que de qualquer ponto podem atacar, diz.
Pierre alerta para a aquisição desenfreada praticada de armas pelos norte-americanos. Eles pensam que com uma pistola vão resolver o problema do terrorismo. Isso vai aumentar ainda mais a violência. O professor-doutor da Unesp lembra que os EUA têm mais de mil grupos paramilitares e neonazistas.
O atentado praticado em Oklahoma City contra o prédio do governo federal na verdade não foi praticado por uma só pessoa, o Timothy MacVeigh. Os Estados Unidos evitam mostrar a outra face e vendem a imagem de loucos agindo de maneira isolada. Assim foi no assassinato do presidente John Kennedy.