Quisera eu só falar coisas positivas de Bauru e de nossos nobres representantes públicos, mas, diante da nossa flagrante realidade prefiro ser taxado de arauto do pessimismo, do que compartilhar com este bauruísmo ufanoso que aí está e que mascara nosso aparente progresso.
Querer imputar aos críticos a responsabilidade pela calamitosa situação político-social que se apresenta na cidade de Bauru é algo tão simplista que beira ao cinismo. (Bem mais vale uma verdadeira crítica do que falsos elogios).
Sempre que um missivista expressa de forma livre sua opinião, sugestão ou mesmo, alguma reivindicação através desta Tribuna e, invariavelmente, quando estas não são do agrado da Prefeitura Municipal, responde sua Assessoria de Imprensa de modo a descaracterizar o teor das críticas e a induzir o leitor a uma falsa compreensão e interpretação dos fatos. No entanto, tal procedimento que induz a esta má compreensão é uma nota imprópria que cerceia a liberdade de expressão e a pluralidade das opiniões, bem como tal atitude demonstra também um certo despreparo para lidar com tais adversidades e outros obstáculos desta ordem. Quaisquer críticas, mesmo que seja uma crítica construtiva, é prontamente rebatida por tais auxiliares que não admitem o contraditório, adeptos que são da incontroversa e da inadvertida política que aí está. (As conseqüências depois, todos sabem).
O otimismo extasiado e a visão delirante do Bauru Paradise (Baurulândia) que tal assessoria insiste em querer demonstrar revela um total alheamento da nossa misérrima realidade e também, o nível de alienação a que querem submeter a public opinion e a cidadania. Quando alguma coisa vai bem na Baurulândia todo o mérito vai para o benfeitor do Nilson (e seus notáveis); por outro lado, quando a coisa pública vai mal, o desmérito vai para o malfeitor do Izzo. Não obstante tal maniqueísmo político, ainda resta a desculpa da famigerada Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). E a responsabilidade social, como fica?
Não raras vezes, bauruenses escrevem para esta Tribuna do Leitor reivindicando melhorias para a cidade e também, se dizem arrependidos de terem votado no atual prefeito, sr. Nilson Costa (PPS). No entanto, a Prefeitura, através de sua Assessoria de Imprensa, prefere ignorar tais críticas como se estas não expressassem verdadeiramente as vozes da sociedade. Contra tais fatos, não há argumentação plausível.
Outra coisa. Nossos representantes públicos precisam entender que nada mais são que servidores da sociedade e como tal devem satisfações à população por seus atos e fatos, pois em última análise é do dinheiro do contribuinte (através de impostos diretos e indiretos) que saem os recursos para sustentar a máquina pública e também, pagar os polpudos salários de alguns funcionários públicos. Então, baseado nestes pressupostos, precisa se acabar com esta falsa idéia de se autoproclamar: eu fiz isso, eu vou entregar no próximo mês aquilo, e outros blá-blá-blá como se estivessem fazendo um grande favor para com a sociedade. Simplesmente, vocês (agentes públicos) não fazem mais que sua obrigação e também, dever público. Ou vocês querem ganhar seus polpudos salários e fazerem simplesmente quase nada?
A sociedade organizada, através de seus cônscios cidadãos, deve também aprender a exigir de nossos nobres representantes públicos o fiel cumprimento de seus deveres e obrigações.
Vox populi, vox dei! (Aurélio da Silva Braga - RG: 12.912.493)