A Nação ouviu, em dia da semana passada, opinião do presidente da República segundo a qual o País está necessitando de mais Estados, alguns mais, não muitos. Foi claro o chefe do Governo explicando por que o Brasil caminharia administrativamente menos capenga que até aqui se alguns de seus Estados, territorialmente avantajados, tivessem as dimensões dos outros. É provável que tenha se despertado para tanto a partir do que já se fez com algumas dessas unidades, inclusive Mato Grosso, há pouco dividido entre MT e MS. Que nesse e outros Estados, onde a inovação aconteceu, a medida deus bons resultados, não se tem a menor dúvida porquanto, a partir daquilo, seus avanços sociais e econômicos deram arrancadas até então não experimentadas. Campo Grande, elevada a Capital do Mato Grosso do Sul, é hoje, por exemplo, uma verdadeira metrópole, uma cidadona abrigando largamente os milhões de seus cidadãos. Então, não se pode deixar de alisar a cabeça do presidente, a qual merece ser acoroçoada pela idéia que estaria revolucionando seus pensamentos. É oportuno lembrar que, há cerca de dez anos, um advogado de Itapeva, um vereador de Angatuba e um publicitário de Itaberá iniciaram movimento em 45 municípios do Sul e do Sudoeste de São Paulo visando constituir nessa área territorial um novo Estado, que teria a denominação de Paranapanema ou São Paulo do Sul. Existiria razão para se mutilar um território altamente rico e reprodutivo como o paulista, admirado por todos os brasileiros? As 45 populações achavam (será que continuam achando?) que absolutamente sim, pois sentiam que a região vinha vivendo praticamente esquecida pelo Governo estadual, o qual - afirmavam - jamais fizera nela qualquer investimento público de importância, como universidades, hospitais e estradas decentes, além de outros. No novo Estado, figurariam municípios de elogiável projeção agrícola, como Apiaí, Guapiara e Ribeirão Branco, principais produtores de tomate em todo o País, e Ribeira, maior produtor de chá e banana do Estado, assim como Itaberá, Taquarituba, Itaí, Riversul, Itaporanga, Coronel Macedo e Barão de Antonina, detentores do galardão de maiores produtores de feijão do Estado. A projetada unidade da Federação teria até mesmo saída para o mar, através dos município de Peruíbe, Iguape e Cananéia, fronteiros eméritos do Oceano Atlântico. Seria importante, portanto, que FHC, abrido o leque, dissesse aos brasileiros dos Estados subdivisíveis - Amazonas, Pará, Maranhão, Bahia, Minas Gerais etc - toda a íntegra de seus pensamentos ou sonhos em favor de um Brasil mais dividido territorialmente para servir melhor sua população. Volte ao assunto, portanto, Senhor Presidente. É a nossa opinião.
(*) N. Serra, Jornalista Responsável do JC e Delegado Regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado).