08 de julho de 2026
Geral

Professores: reservatórios de conhecimento

(*) Carlos Braga
| Tempo de leitura: 2 min

Venho de uma família de educadores. Minha mãe foi professora, muitas das minhas tias e tios também. Talvez por isso eu tenha aprendido desde cedo a valorizar ainda mais aqueles que fazem de sua vida um reservatório de conhecimento para repartir e multiplicar na sociedade.

Profissão de abnegados, que se dedicam à arte de aprender para transmitir. Heróis anônimos nem sempre reconhecidos, que se especializam em transformar crianças e jovens em cidadãos e profissionais. Pessoas que vão brilhar em suas áreas de atuação, realizar descobertas científicas, escrever livros, salvar vidas, construir as cidades. Sem dúvida graças ao esforço pessoal e ao talento de cada um. Mas inequivocamente utilizando a luz do conhecimento transmitido por seus professores.

Infelizmente, ao constatar toda a importância do professor no processo da educação, também não posso deixar de observar o quanto esta profissão de nobres pessoas está empobrecida e desvalorizada em nosso País. O que se vê hoje é que os professores são mal formados, mal pagos e nem sempre reconhecidos pela sociedade. Menos ainda pelo poder público.

Um inacreditável processo inverso ao das necessidades do País. Porque numa realidade de mercado que exige cada vez mais profissionais qualificados em todas as áreas, aqueles que formam esses profissionais não são valorizados. Numa realidade em que o desenvolvimento depende da educação, divulgam-se números de alunos matriculados, mas os professores não recebem remuneração compatível com a importância de seu trabalho.

O país precisa ter uma população com bom nível educacional para competir em condições de igualdade no mundo globalizado. Mas nós já estamos em desvantagem. Porque ainda temos 70 milhões de pessoas que são analfabetas ou analfabetas funcionais. E mesmo assim não existe incentivo à melhor qualificação, remuneração e reconhecimento social dos professores. Vivemos um tempo em que as novas tecnologias atropelam o conhecimento adquirido. Neste contexto, a educação assume um papel ainda mais significativo. Porque ela passa a ser um processo contínuo. Haverá sempre a necessidade da reciclagem, do treinamento, do estudo como forma de absorver novos conhecimentos. Portanto, haverá sempre a necessidade de professores bem formados, melhor remunerados e ainda mais respeitados, porque não dizer reverenciados por toda a sociedade.

Esta é uma data de festa sem dúvida. Um dia para cumprimentar e agradecer a todos aqueles que nos ofereceram o saber, ampliando nossos horizontes e perspectivas. Mas é também um dia oportuno para a reflexão. Que futuro está reservado a um país que não proporciona aos seus mestres as condições dignas e indispensáveis ao seu trabalho? Como o país está formando os cidadãos do amanhã, se não estamos preparados nem mesmo para os desafios do presente? Muitas são as dúvidas. A certeza é uma só: toda a sonhada e esperada prosperidade do Brasil só será possível com a valorização do ensino, da escola e principalmente, dos professores.

(*) Carlos Braga é deputado estadual