08 de julho de 2026
Geral

Empresas driblam racionamento

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

A necessidade de reduzir o consumo de energia elétrica em 20% não afetou a produção de algumas empresas

Jaú - Das 140 empresas do setor calçadista jauense, pelo menos duas driblaram com facilidade as restrições impostas pela necessidade de se economizar 20% de energia elétrica. Para alcançar a meta estabelecida pelo governo, a Daleph Calçados e Rosângela Calçados não precisaram lançar mão de decisões mais drásticas como a demissão de funcionários e a redução dos níveis de produção.

Na Daleph, que produz cerca de mil pares de calçados por dia, o uso da eletricidade para aquecer a água, no tratamento do couro, foi substituído pelo gaz. O proprietário Nivaldo Hernandez, 45 anos, acabou descobrindo que além de ser mais econômico, o uso do gaz natural passou a representar um custo menor na cadeia produtiva do sapato.

A Rosângela Calçados, uma das pioneiras em Jaú, não só manteve o consumo de energia, sem se preocupar com o racionamento, como aumentou a produção em 30%, chegando a 1,2 mil pares por dia. Para se livrar das restrições ao consumo, o que antes era uma fábrica passou a ser duas, com relógios de força distintos. Além da fábrica de calçados, a empresa mantém ainda uma produtora de palmilha, em imóveis separados, porém vizinhos. Antes do racionamento, existia apenas um relógio, que media o consumo de energia das duas fábricas. Hoje, cada uma tem o seu próprio relógio.

Mercado comum

Os três principais mercados consumidores dos calçados produzidos nas duas empresas são, pela ordem de importância, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Exportação é uma palavra que praticamente inexiste no dicionário de ambas. Os contratos da Rosângela Calçados com alguns compradores da América do Sul não representam quase nada, em termos de faturamento, para a empresa, segundo seu diretor comercial João Miguel Faracco, 40 anos.

Os 115 funcionários da empresa, entre diretos e indiretos, produzem hoje oito linhas de sapatos e a variação de modelos é constante. Praticamente, toda mudança no catálogo segue tendências mundiais verificadas sobretudo na Itália, considerada o polo irradiador da moda na Europa.

Hernadez informou também que quase triplicou o número de linhas de sua empresa para atender a exigência do mercado. Mas lembrou que essa alteração provocou uma queda que varia de 10% a 15% na produção, mais pela sua complexidade. A empresa emprega atualmente cerca de 60 funcionários.