08 de julho de 2026
Geral

Situação começa a ser preocupante

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

Carlos Roberto Sette, economista e consultor de empresas, afirma que a situação econômica começa a preocupar muito, pois a comparação de agosto de 2001 com agosto do ano passado demonstra a tendência de uma queda livre em relação ao faturamento, pessoal ocupado e gasto com salários.

Para Sette, a diminuição do faturamento trouxe como conseqüência a queda por admissão de pessoal e gastos com salários. Isso confirma a tendência de recessão na economia.

Conjuntura

O economista afirma que a desaceleração da economia mundial, puxada pelos Estados Unidos associada à desvalorização do real frente ao dólar e taxas de juros internos altos, levam a prever uma tendência de recessão futura no curto prazo, que trará conseqüências negativas no faturamento, geração de emprego e lucratividade das empresas.

Com toda essa conjuntura adversa, destaca Sette, o racionamento da energia elétrica foi pouco relevante como fator de ameaça. No momento em que estamos fazendo esta análise existem dois cenários internacionais a serem refletidos que são as conseqüências sobre a economia mundial da invasão sobre o Afeganistão e a crise Argentina, destacou.

Sob o ponto de vista interno, analisa o economista, as empresas terão que monitorar a escalada do dólar em relação ao real, visto ser esse um fator de aumento de custos e desestabilização da economia. O Banco Central, a meu juízo, tem errado no combate à disparada do dólar. Penso que uma medida mais acertada e menos onerosa para o País, seria trabalhar influenciando a cotação do valor do dólar futuro e não jogar fora reservas cambiais e realização de leilões de títulos de poucos resultados, disse.

Com a perspectiva de pouco controle efetivo sobre o dólar, acredita o economista, o próprio Banco Central não terá margem para baixar os juros básicos da economia, fazendo com que, os custos de financiamento de capital de giro das empresas e do financiamento das vendas a prazo aos consumidores continuem elevados.

Do lado positivo, destaca, percebe-se o enorme esforço do governo para aumentar as exportações, o que lhe dará um saldo comercial para amenizar a vulnerabilidade externa do País. Nesse sentido, as MPEs têm como oportunidade a aberta de comercialização com o exterior, estratégia pouco utilizada por esse tipo de empresa. Como os volumes exportáveis são elevados, a solução é formar consórcios de MPEs para atender os contratos. Isso já vem sendo feito na nossa região, notadamente em cidades onde existem pólos industriais específicos, como o caso de Jaú e Birigui.

Para Sette, as recomendações para as MPEs são: administrar melhor o capital de giro, gerenciando principalmente os estoques, que devem ficar próximo do mínimo, já que estoques elevados significam dinheiro parado; redução dos desperdícios - além da redução do consumo de energia, as MPEs devem trabalhar outros focos de desperdício que geram custos adicionais, totalmente inviáveis nos dias de hoje onde os preços de venda são definidos pelo mercado.

O economista diz, ainda, que é fundamental evitar ao máximo consumir matérias-prima cujos preços estejam atrelados ao dólar, porque a moeda norte-americana terá uma tendência de alta nos próximos meses. Para ele, é importante monitorar os custos de transportes em função do aumento dos produtos derivados do petróleo, mais em função do aumento do dólar do que da alta do barril do petróleo. As MPEs devem continuar elaborando um plano de logística racional nas entregas e distribuição dos produtos, afirmou.

Para Carlos Sette, as MPEs têm que aproveitar os espaços internos, a serem proporcionados pela provável estratégia econômica de substituições das importações, que deverá ocorrer em função do dólar alto.