07 de julho de 2026
Geral

A GREVE

Shigueko Sakai
| Tempo de leitura: 2 min

Persiste a greve dos servidores do INSS - Instituto Nacional do Seguro Social - desde o dia 8 de agosto e do Poder Judiciário, desde o dia 27 de agosto. Das lembranças que tenho, é a greve mais longa já deflagrada pelos servidores desses órgãos do governo, isto é, federal e estadual.

Têm razão os grevistas persistirem enquanto não obterem o mínimo de reivindicação que pleiteiam, isto é, a reposição salarial. Afinal, é fácil perceber o quanto reajustaram as taxas e tarifas públicas todos os anos sem contar com aumentos consideráveis dos deputados, senadores e vereadores, normalmente, ano anterior à eleição. Afirmam os servidores públicos que não recebem há sete anos qualquer reposição salarial.

Serviços se avolumam nesses órgãos públicos, dia-a-dia, sem que aumente o quadro de funcionários. Excesso de serviços com baixa remuneração, ocupando cargos que exigem seriedade, muitos com diploma de nível universitário, antes, pertencentes à classe média, é possível observar ultimamente sendo encurralados para a classe menos favorecida. Situação essa, nada estimulante, dolorosa para quem os observa.

Não é difícil perceber aumento populacional e substituição de máquinas de escrever pelos computadores que facilitaram muito os serviços que dependiam daquelas mas ainda não é possível executar tudo apenas com computadores.

Não raro, observamos também pertencer à classe dos oprimidos, os professores de ensino público e policiais militares. Absurdo e inaceitável. Para se ter uma idéia, não tive coragem de pedir a um professor universitário da Unicamp a reparar o dano que ele causou no veículo do meu sobrinho ao verificar o lugar e a casa onde residia e o veículo que possuía. Foi doloroso demais. Choramos e fechamos os olhos. Indagamos: como estarão vivendo os demais professores do ensino público? Que universidade estadual é essa que grandemente diz ser de melhor qualificação? Sem poder aquisitivo suficiente, que estímulo teriam eles e como se mantêm atualizados? A perda do poder aquisitivo pela falta de reposição do salário corroído pela inflação equipara-se à perda do patrimônio do trabalhador que deve ser reparado pelo empregador incontestavelmente, sem o qual, estaria praticando furto e merece julgamento.

Salário justo, quadro de funcionários suficientes para cada setor, assim como o espaço físico dos fóruns da Justiça são direitos fundamentais do homem. Chega de injustiça. A dignidade humana deve estar acima de tudo e deixar essa desigualdade social que parece se destacar cada vez mais em detrimento daqueles que também merecem ser amparados e reconhecidos. (Shigueko Sakai - RG: 7.636.385-5)