Mais uma correspondência suspeita de contaminação por antraz - a terceira desde a madrugada de ontem - foi encontrada em Bauru. O envelope suspeito foi coletado por um funcionário dos Correios na caixa de postagem, localizada na Praça Rui Barbosa, e era endereçado a um estabelecimento comercial do quinto andar do Edifício Comercial, que fica na quadra 4 do Calçadão da Batista de Carvalho.
Após levar a correspondência para uma central dos Correios, onde foi manuseada, o funcionário passou a suspeitar do conteúdo - a sensação, pelo tato, era de que continha pó. A correspondência foi encaminhada para a central dos Correios, que funciona no antigo prédio do Cesec do Banco do Brasil, localizado no Jardim Cruzeiro do Sul, de onde foi recolhida pelo Corpo de Bombeiros.
De acordo com a Polícia Militar, os bombeiros recolheram o envelope suspeito e imediatamente o colocaram dentro de um saco plástico, que foi lacrado. O material foi encaminhado para o Plantão da Delegacia Seccional, onde foi registrado o termo de apreensão.
As duas correspondências suspeitas apreendidas na madrugada de ontem em Bauru estão sendo encaminhadas para a Polícia Técnico-Científica da cidade. O delegado J.J. Cardia, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), que investiga o caso, disse que solicitou à Polícia Técnico-Científica a análise dos dois envelopes.
Como o JC publicou na edição de ontem, um envelope suspeito chegou à casa de Guiomar da Costa Moura Pinto, moradora na Vila Nipônica. A carta tinha inscrição em francês, com remetente de Nova York, endereçada a seu filho, Hélder Moura Pinto, que está morando na Austrália.
Após manusear o envelope, uma mancha vermelha surgiu em seu antebraço, o que a levou a acionar as Polícias Civil e Militar e o Corpo de Bombeiros. O envelope, que não foi aberto, foi retirado da casa pelos bombeiros e apreendido. Guiomar foi atendida no Pronto-Socorro Central, onde foi constatada, a princípio, que a mancha é uma alergia. A mulher foi liberada e, até ontem à tarde, não havia passado por mais exames médicos para verificar uma possível contaminação com antraz. O outro caso foi de um envelope endereçado ao empresário Gilberto José Cinel, entregue na empresa de segurança Gocil, onde Cinel é diretor. Ao manusear o envelope, o empresário constatou que parecia conter uma espécie de pó. Com receio de antraz, acionou a polícia.
Dependendo dos resultados das análises, o delegado poderá solicitar outros exames. A Polícia Técnico-Científica de Bauru faz apenas teste toxicológico - que verifica se a substância é ou não entorpecente. Portanto, para saber se determinado produto está ou não contaminado por antraz é preciso passar por outra análise - no Brasil apenas dois centros, o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, e a Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, estão credenciados para esse teste. J.J. Cardia deve começar a ouvir as pessoas que receberam os envelopes suspeitos hoje. Também está sendo encaminhado ao Instituto Adolfo Lutz o envelope com pó branco apreendido em Pederneiras na terça-feira, cujo teste de toxicologia deu negativo. Portanto, não se trata de cocaína ou outro entorpecente, mas não se sabe que tipo de produto continha a carta.
Adolfo Lutz leva 18 horas para fazer a análise
O Instituto Adolfo Lutz de São Paulo, um dos dois centros oficiais de detecção de antraz no Brasil, demora cerca de 18 horas para analisar um caso suspeito de antraz, segundo informações da Secretaria Estadual de Saúde.
Somente ontem, até as 17 horas, havia chegado ao Adolfo Lutz mais 19 correspondências e outros objetos suspeitos de estarem contaminados pelo antraz, dos quais 14 já estavam sendo analisadas. Até ontem, o Instituto Adolfo Lutz não havia registrado nenhum caso positivo de antraz.
Todas as 13 substâncias cujas análises foram finalizadas ontem deram negativas. De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde, o Instituto Adolfo Lutz tem condições para analisar todos as substâncias suspeitas recebidas.