10 de julho de 2026
Geral

Médicos denunciam e Ministério Público investiga irregularidades

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Paralelamente à reivindicação dos funcionários, 15 médicos do corpo clínico da Santa Casa de Misericórdia de Pirajuí entraram com uma representação junto ao Ministério Público estadual da 2.ª Vara da comarca para que sejam apurados indícios de irregularidades da administração do hospital. O médico Carlos Roberto Lazzari informou que foram apresentadas cerca de 12 denúncias ao promotor local, que aceitou a representação e iniciou uma ação civil pública para apurar os fatos.

A principal irregularidade, segundo Lazzari, é que a Lei Orgânica do Município impede que prefeito, vice-prefeito e vereadores participem da diretoria de entidades que mantenham convênios com a Prefeitura Municipal em que haja o repasse de verbas. O médico afirma que o atual provedor da Santa Casa, Euclides Ferraz de Camargo, é o vice-prefeito da cidade e que ele fechou um convênio com a Administração Municipal terceirizando o pronto-socorro da cidade e transferindo os encargos do PS para a Santa Casa.

Nesse convênio, a Santa Casa recebe R$ 25 mil por mês para arcar com as despesas do PS, incluindo contratação e pagamento de médicos, compra de materiais e medicamentos, entre outros, disse Lazzari. Além da infração à Lei Orgânica do Município, o médico destaca que o provedor só teria prestado contas deste valor no primeiro mês do repasse (fevereiro deste ano) e que ele estaria computando nesta prestação de contas procedimentos que já são cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Outro fato: ele (o provedor) contratou cerca de cinco médicos em fevereiro e não registrou nenhum. Esses profissionais podem exigir seus direitos trabalhistas, com conseqüências sérias para a entidade num futuro próximo. Estes profissionais só foram registrados há quatro dias, depois de uma fiscalização do Ministério do Trabalho, disse Lazzari.

Ele denuncia, ainda, a recente criação de um quarto para observação de pacientes no hospital em que homens, mulheres e crianças ficam num alojamento conjunto, independentemente da patologia que apresentem. Ele fez tudo isso à revelia do diretor clínico do hospital e infringindo as principais normas da Vigilância Sanitária. Inclusive, a Santa Casa foi autuada pelo Conselho Regional de Medicina (CRM), depois de uma vistoria que identificou vários problemas sanitários, completou o médico.

A reportagem do Jornal da Cidade tentou contato com o provedor da Santa Casa de Misericórdia de Pirajuí durante toda a tarde e início da noite de ontem. Foram deixados recados em diferentes locais, mas, até o fechamento desta edição, ele não retornou as ligações.