Na minha opinião não teve até agora nenhum brasileiro que demonstrasse tanto patriotismo e visão do futuro do nosso País, que pudesse se assemelhar a Monteiro Lobato.
Foi grande o sofrimento desse homem por lutar para que as nossas autoridades se despertassem para o verdadeiros interesses nacionais. Para se formar uma idéia da grande preocupação que mantinha com o futuro do Brasil, em 3 de maio de 1928 se encontrava em Nova York e de lá remeteu uma longa carta a Alarico Silveira, então chefe da Casa Civil do presidente Washington Luís. Mais que uma carta, é um admirável escrito relatório, abordando o problema siderúrgico, concluindo que o Brasil necessitava urgente de entrar na era do ferro, pois todos os nossos problemas seriam resolvidos, pois o nosso programa siderúrgico nada iria depender de outros países, alertando ainda que nesse setor o Brasil já estava cem anos de atraso em relação aos Estados Unidos. Como os prezados leitores podem constatar, o alerta de Monteiro Lobato ocorreu em 1928 e somente 17 anos após é que se construiu a Siderúrgica de Volta Redonda. Cabe aqui uma interrogação: será que estamos produzindo todo ferro e aço de que necessitamos, ou ainda estamos importando? Quanto a sua luta pelo petróleo, foi uma coisa descomunal, pois naquela época falar em petróleo e siderurgia era pior do que ofender a memória das mamãezinhas das nossas autoridades. Toda memória de Monteiro Lobato foi por ele relatada ao escritor Edigard Cavalheiro, que editou a obra em dois volumes, com farto material ilustrativo, narrando a vida de Lobato desde a sua infância, quando aos seis anos de idade o que mais lhe impressionou foi a falinha fina da imponente figura de Dom Pedro II, quando este se hospedou na casa de seu avô, na última visita que fez à Província de São Paulo. A obra tem boas doses de humor. Recomendo-a. (Argemiro Trindade - advogado - OAB/SP 83.059)