08 de julho de 2026
Geral

MODISMOS ANTIPÁTICOS

José Benedicto Pinto
| Tempo de leitura: 1 min

Tenho recebido muitos telefonemas de amigos, ex-alunos e até alguns colegas mais jovens, ou melhor, jovens, que me pedem opinião sobre certas construções que têm ouvido em entrevistas ou locuções nas diversas emissoras de rádio e televisão. Construções, realmente estranhas como por exemplo: no domingo, estaremos apresentando... ou a faculdade vai estar realizando... etc., etc...

É evidente que o correto (e mais simples) é: no domingo apresentaremos... ou, no próximo dia tal, faremos o que... ou, a faculdade realizará...

Essas construções com locuções verbais que não têm respaldo nem gramatical nem, muito menos, lingüísticos, nada mais são que modismos que, sem dúvida, devem ser evitados porque nada têm a ver com o gênio da língua portuguesa. Devem ser tão repudiados como as estranhas expressões como: a nível de - enquanto (no sentido de como) e outras que são ou modismos, ou estrangeirismos. Por que dizer: a matemática, enquanto disciplina obrigatória que é...? Por que dizer: a prova será feita a nível de verificação da competência de cada um... ao invés de se dizer: a prova será a forma de verificação da competência...

Sem nos considerarmos puristas, somos de opinião que a nossa língua, tão rica, com uma sintaxe de construção tão exuberante, não tem necessidade alguma de se empobrecer com barbarismos, por estrangeirismos que a enfeiam e a tornam vulgar.

É importante que os professores de português sejam guardiões da beleza da língua e combatam esses verdadeiros absurdos que só ficam bem nos que não têm recursos para falar corretamente.

É bom lembrarmos aqui as palavras de Eça de Queirós: Devemos falar bem a nossa língua; as outras, devemos falar mal, orgulhosamente mal com aquele acento chato que logo denota o estrangeiro. (José Benedicto Pinto - RG: 444.034-9)