08 de julho de 2026
Geral

Deficientes ditam a atuação da Sorri

Gustavo Candido (*)
| Tempo de leitura: 3 min

A entidade, fundada há 25 anos, mudou a linha de atuação, de serviço para suporte, para melhor atender deficientes

Quando veio para o Brasil a serviço da American Leprosy Missions Inc. realizar um estudo sobre o problema da segregação de pessoas com hanseníase, o americano Thomas Ferran Frist não imaginava que seria um dos fundadores de uma das mais importantes instituições de apoio e serviços para as pessoas portadoras de deficiências da atualidade. Hoje, a Sociedade para Reabilitação e Reintegração de Incapacitado (Sorri), criada por Frist e outros líderes da comunidade bauruense, atende cerca de 150 pessoas entre portadores de deficiência física, auditiva, visual parcial, mental e múltipla, além de portadores de hanseníase e é considerada um modelo, já copiado (com o mesmo nome e filosofia) em outras cidades de vários Estados brasileiros. Em visita a Bauru, onde veio para participar das comemorações de aniversário da Sorri-Bauru e Sorri-Brasil, o fundador da entidade Thomas Ferran Frist concedeu entrevista ao JC (veja na página ao lado) onde lembra as origens da Sorri e revela o orgulho que sente da entidade da qual foi presidente nos seus primeiros anos de existência.

Desde sua inauguração, no dia 25 de setembro de 1976, a Sorri trabalha com uma visão futurista na sua administração, como afirma o seu atual presidente, o empresário João Carlos de Almeida, o JOÃOBIDU, A filosofia da Sorri já falava em conceitos hoje considerados atuais, como parceria e excelência, há 25 anos atrás.

A entidade foi a primeira a trazer a profissionalização para as entidades sociais que, até então, eram administradas na sua maioria por voluntários e também a colocar mais de 300 pessoas portadoras de deficiências no mercado de trabalho depois de prepará-las, antes que existisse uma lei que garantisse vagas, como há hoje.

Um dos segredos da entidade, segundo o seu fundador, Thomas Ferran Frist, é a capacidade de mudar para responder às necessidades do momento. Um dos mais recentes sinais dessa capacidade foi uma mudança de paradigmas pela qual a entidade passou, deixando o paradigma de serviço e adotando um paradigma de suporte, através do qual se procura garantir o acesso imediato da pessoa com deficiência ao espaço comum da vida na comunidade, idependente do seu tipo de deficiência e grau de comprometimento. O paradigma de suporte que a Sorri pratica hoje é muito importante para que se atue na comunidade, nos órgão públicos, nas empresas privadas porque é preciso que se quebre esse preconceito e as pessoas com deficiência tenham não só o direito que lhes são garantidos, mas também as oportunidades, afirma JOÃOBIDU.

Como funciona a Sorri

A Sorri oferece atendimento individualizado a pessoas portadoras de deficiências, buscando saber qual o seu projeto de vida pessoal e profissional. Após o usuário explicitar qual é o sua meta pessoal e profissional, a Sorri o encaminha para programas de acordo com sua expectativa. A profissionalização também é feita através da prestação de serviços a empresas feita pela Sorri. Nesses programas, os usuários da entidade executam, nas dependências da Sorri, atividades profissionais para as empresas conveniadas, como envazamento de produtos, costura de peças de roupa, encadernação de material, entre outros.

Outra área de profissionalização é a culinária, na própria cozinha que fornece a alimentação para os usuários da Sorri. Mas se o usuário quer profissionalizar-se numa área que a Sorri não oferece nenhum programa, ele é encaminhado para outras entidades da cidade onde poderá aprender a atividade.

* Colaborou Ieda Rodrigues