08 de julho de 2026
Geral

Desenhar e respirar para desestressar

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 6 min

Trabalho de relaxamento através de cores e pinturas auxilia jovens a se desestressarem

Lidar com cores, texturas, desenhos, formas, é um relaxamento que desestressa os jovens que estão enfrentando uma fase difícil em suas vidas: o vestibular.

As artistas plásticas que atuam também como terapeutas, profissão que estão se especializando, Carla Lisboa Maia e Maria Cabreira, juntamente com a psicóloga Pastora Amâncio da Silva, tiveram a idéia de formar um grupo de vestibulandos para trabalhar com as artes. O objetivo principal: relaxar e desestressar, deixando-os tranqüilos para encararem as provas que, antes pareciam um bicho de sete cabeças, com muita calma.

A opinião deles: a melhor coisa do mundo! Todos se dizem satisfeitos com o trabalho realizado. Eu indicaria para todas as pessoas que estão passando por essa fase. Posso dizer que minha vida mudou muito com esse trabalho, contou a estudante do terceiro colegial, Mariane Cristina Menero, 18 anos. Ela está prestando vestibular para relações internacionais e afirmou que o sono, a alimentação, tudo se altera nessa época, mas com o trabalho com as artes, Mariane notou uma grande diferença no seu dia-a-dia que a fez sentir-se melhor. A gente sofre muita pressão de todos e de nós mesmos e esse trabalho mexe com nosso emocional melhorando nosso relacionamento com as pessoas, explicou.

Pastora explicou que o trabalho com a arte tem um resultado excelente. Para os que já têm definido o que vão prestar no vestibular, o nível de estresse é menor. Esse nível aumenta quando a escolha não é bem feita, quando está pressionado pela escola, pelo momento, pelos pais e por eles mesmos. Um trabalho nesse sentido alivia essa tensão, disse.

Para ela, é importante que o adolescente tenha tempo para refletir sobre sua escolha. É comum, de acordo com Pastora, que a opção seja feita sempre no último momento, mas se houvesse a consciência de que isso deveria ser pensado desde quando se ingressa no colegial, o nível de estresse seria menor no momento da decisão. O trabalho auxilia no raciocínio, na memória. No momento da prova, se o nível de estresse está elevado, acontecem os chamados brancos. A pessoa pode até saber a matéria, mas na hora esquece. Então esse momento de equilíbrio é necessário, explicou.

Ela falou ainda que, durante o trabalho com as artes, o adolescente aprende a respirar, a corrigir a postura, de forma que tudo isso associado, faz com que a mente trabalhe com mais tranqüilidade.

Pastora facilita o processo de escolha dos vestibulandos. Ela atende os jovens em grupos e individualmente. Eu acredito num processo de escolha. Não é imediatismo. Ele tem que pensar em todas as causas que influenciam no processo de escolha. Eu oriento que ele conheça as profissões, se informe sobre cada curso para estar seguro do que quer, afirmou.

De acordo com a psicóloga, a dificuldade em decidir a profissão desejada está em deixar para optar na última hora. O ideal é que o processo de escolha tenha início no primeiro colegial para que chegue no vestibular sabendo o que quer. O vestibulando já enfrenta uma pressão normal da fase, se ele ainda não sabe o que vai fazer ou não está seguro sobre a opção que fez, é muito pior, disse.

Artes plásticas

A artista plástica Carla Lisboa Maia disse que essa época de vestibular traz muita ansiedade, estresse, devido à cobrança existente de todos os lados, por isso a idéia de realizar esse trabalho de relaxamento. Eles sentem-se bem, se harmonizam e, emocionalmente, o resultado é rápido e eficaz, disse.

Maria Cabreira, que também administra o curso para desestressar vestibulandos, explicou que, normalmente, esses jovens estão trabalhando muito o intelectual e em contrapartida, quando se trabalha o lado da criatividade, de mexer com tintas, mistura de cores, equilibra o lado emocional. O ritmo de inspiração e expiração está ligado ao equilíbrio e à tranqüilidade. Há um ritmo que trabalhamos que é gradativo. Eles sentem uma diferença muito grande. No processo de respiração, a pessoa se conecta com ela mesmo, relaxando com a própria respiração, explicou.

Carla disse, ainda, que essas técnicas são aplicadas desde aí para sempre. Eles usam o que aprendem aqui, na vida, no dia-a-dia deles, afirmou.

O trabalho se inicia com os desenhos de formas que possui uma força especial, de acordo com as artistas. Esse trabalho ajuda o adolescente a encontrar o equilíbrio necessário para lidar com as tensões dos dias de hoje, que tanto enfraquecem as vontades, afirmaram elas.

Carla e Maria explicaram que isso pode se tornar uma maneira muito saudável de os ajudar a alcançar os momentos desejados de paz interior e manter viva a criatividade.

O objetivo é deixar que a imagem, considerada bela, seja interiorizada por eles como um ponto de partida. O trabalho consiste em guardar o gesto e transformar a imagem em linha pura, repetir traços cada vez mais consciente, buscando equilibrar e harmonizar as linhas sem preocupação com o resultado estético. Colocar toda a atenção no movimento, no fluxo em eles mesmos, juntamente com um ritmo respiratório harmônico, uma postura corporal relaxada e as mãos permitindo que o lápis toque o papel de maneira suave e amorosa. Trata-se de conquistar a sensação de que a forma está nascendo deles mesmos, juntamente com uma melodia.

Em seguida, as orientadoras passam para a técnica da aquarela que está relacionada ao sistema rítmico, respiração e circulação. A alternância com as cores quentes, ativas e expansivas e as cores frias, passivas e contraídas.

É um método, segundo elas, construtivo sempre permeado de afetividade. Busca a harmonização, organizando-se por dentro e por fora. Atuando principalmente nos estados de estresse, medo, timidez, ansiedade, em todos os processos de endurecimento da vida, excesso de intelectualidade e racionalidade.

De acordo com a médica antroposófica, Margarethe Hauschka, a pintura e as imagens em geral, têm uma especial relação para com as forças que partem do coração. Assim como as cores vivem entre a luz e as trevas, a alma humana vive também entre a alegria e a tristeza, prazer e sofrimento. A alma pode ser comparada ao aparelho respiratório: ela somente é sã quando os dois processo de inspiração e expiração se realizam com exatidão. Quando a pessoa já não consegue respirar com sua alma, vai adoecendo, principalmente do aparelho respiratório e circulatório.

Cores

Maria explicou que cada pessoa reage e interage com uma cor de forma diferente. Para alguns, por exemplo, o amarelo se expande muito e a pessoa se perde e para outros não, já possuem uma certa facilidade de lidar com isso. Para outros, o vermelho os deixa agressivos. Isso é uma vivência e cada um tem uma reação totalmente diferente do outro em relação às cores. Isso mexe muito com eles, disse.

Carla lembrou que a aquarela, por ser água, tem uma fluidez muito grande, tem oxigênio, por isso está ligada à respiração. Isso mexe muito com o emocional. A arte é o respirar da alma e isso nós percebemos durante nosso trabalho, disse.

Esse contato com as formas e com as cores tem beneficiado muito os vestibulandos que se entusiasmam e afirmam que o relacionamento familiar também melhora após esse processo. Além de se sentirem mais tranqüilos com as decisões e as mudanças da fase da vida, eles aprendem a enfrentar os problemas de mudanças de uma maneira muito equilibrada e tranqüila.

Marina Maia, 15 anos, estudante do primeiro colegial disse que durante muito tempo trabalhou com arte na escola e isso a fazia bem. Uma época eu parei de fazer esse tipo de trabalho e notei uma diferença muito grande no meu comportamento. Trabalhar com arte acalma, afirmou.

Ela disse que indicaria esse trabalho para todos os jovens. Se as pessoas tivessem a oportunidade de realizar um trabalho como esse, elas perceberiam como tudo melhora até o relacionamento com os pais e irmãos, contou.