07 de julho de 2026
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Redação
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A chegada da menopausa está escrita nos genes, como em um relógio biológico, e hábitos ou situações como fumar, ter filhos ou usar a pílula anticoncepcional influenciam minimamente no fim do período fértil, segundo um estudo holandês publicado na revista Human Reproduction. O informa ressalta que a idade da menopausa depende em 85% do que está escrito no código genético. Considerando que o fim do ciclo é precedido por um longo período fértil, quem corre o risco de menopausa precoce pode programar com antecedência o nascimento de um filho. No futuro, frisam os pesquisadores, quando se conhecerem claramente os genes da menopausa será possível adiar o timer e prolongar o período fértil. Por enquanto, se uma mulher quer saber em que idade entrará na menopausa, deve perguntar para sua mãe, irmãs e avós quando elas enfrentaram as clássicas ondas de calor e o final do ciclo menstrual. Os autores do estudo - dois grupos das universidades de Utrecht e Wageningen - esclarecem que prever a chegada da menopausa não é uma simples curiosidade: Esta possibilidade evita a desilusão para as muitas mulheres que querem engravidar depois dos 30. É justamente a partir desta idade que começa a declinar o período fértil, cujo ponto culminante está entre os 20 e 25 anos.

O fato de um número crescente de mulheres terem o primeiro filho entre os 30 e os 40 anos é que motivou Jan-Peter de Bruin, do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Universidade de Utrecht, a empreender esta pesquisa. A idade cada vez mais avançada na qual as mulheres têm seu primeiro filho é uma das mudanças demográficas mais significativas dos últimos 30-40 anos. Se esta tendência continuar, nos próximos anos é provável que aumente o número de mulheres que não conseguirão ter filhos, frisou. A pesquisa, baseada nos dados de 243 filhas de 118 famílias e de 59 gêmeas, demonstra que uma mulher com antecedentes de menopausa precoce na família tem altíssimas probabilidades de entrar rapidamente na menopausa. Da mesma forma precoce, ela se torna menos fértil e corre o risco de não conseguir ter filhos caso postergue a primeira gravidez, explica De Bruin.

Pesquisas realizadas no passado pelo mesmo grupo holandês demonstraram que o organismo de uma mulher começa a se preparar muito cedo para a menopausa. Além disso, com o passar dos anos, se reduz progressivamente a reserva de ovócitos, até seu desaparecimento total com a chegada da menopausa. Esse processo irreversível, segundo os pesquisadores, muito provavelmente é controlado pelos mesmos genes que determinam o início da menopausa. O próximo objetivo é identificar quantos e quais são os genes que controlam a menopausa. Nos últimos dois anos os pesquisadores recolheram dados do material genético de 200 irmãs que tiveram uma menopausa tardia. Esperamos ter os primeiros resultados em cinco anos. Se conseguirmos isolar os genes responsáveis pela menopausa, todas as mulheres poderão prever a idade da menopausa com um teste de DNA, frisa o especialista. Outra possível conseqüência, porém mais longínqua no tempo, é a possibilidade de atrasar o relógio biológico, adiando a chegada da menopausa. Conhecendo os genes, poderemos entender o que faz os folículos deixarem o ovário, e retardar ao máximo o processo, conclui o cientista. (Ansa)