10 de julho de 2026
Geral

Rapto e provável assalto ao BB mobilizam as polícias de Bauru

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

Os integrantes da quadrilha seriam da Capital e teriam vindo a Bauru para roubar a agência central do Banco do Brasil

Um verdadeiro quebra-cabeça mobilizou o comando das Polícias Civil e Militar de Bauru, na noite de ontem. Uma quadrilha, fortemente armada, teria vindo da Capital para praticar um roubo no Banco do Brasil (BB), agência da 1.º de Agosto. Para concretizar o intento, a quadrilha praticou o rapto de mais de 20 pessoas e não conseguiu levar nada além do que uma bicicleta, quatro cobertores, R$ 640,00 em moeda corrente e um relógio.

A história, que pode sofrer uma reviravolta, teria tido início na madrugada de domingo, com o rapto de um especialista em abrir cofres da Capital, Lúcio Saturnino dos Santos. Segundo ele, por volta das 2 horas da madrugada, ele e a namorada estavam prontos para dormir quando bateram na porta da casa dele. Era meu cunhado. Ele entrou acompanhado de dois desconhecidos, que diziam ser da polícia e que apontavam armas para ele e para mim.

O técnico teria sido colocado em um Gol branco, juntamente com a sua namorada e seu cunhado. Eles me levaram para um local desconhecido em São Paulo e, numa casa, encontrei toda a minha família, cerca de 11 pessoas, que já estava com os ladrões. Minha namorada e meu cunhado ficaram lá. Eles me disseram que a vida deles era responsabilidade minha.

Santos teria sido encapuzado e colocado em um veículo. Eu topei a parada porque meus familiares corriam risco de vida. Fui deixado em uma fazenda, que só agora sei que é próxima de Piratininga. Me colocaram em um quarto com outras pessoas e fiquei aguardando ordens. Sabia que iria abrir um cofre, mas não sabia de onde.

Os assaltantes teriam deixado o técnico mais de cinco horas preso, juntamente com outras vítimas. Só fui liberado por volta das 17 horas, quando eles abandonaram o local, em alta velocidade.

A família dele teria sido liberada, por volta das 23 horas, no terminal rodoviário da cidade de Santo André.

Segunda parte

Outra parte da história é contada por outra vítima, o comerciante D.A.L, que pediu para não ser identificado, com medo de represália, já que os raptores continuam soltos. Os bandidos chegaram, por volta das 7 horas, com um Fiorino e uma caminhonete Ranger prata, na fazenda Furquilho, quilômetro 366 da rodovia Bauru-Marília. Encontraram o caseiro da propriedade e pediram para que ele arrumasse água, porque um dos carros estaria esquentando.

O caseiro teria se proposto a pegar a água, quando foi agarrado por um deles. Ele foi levado para a casa sede, onde sua mulher e seus filhos estavam trancados em um quarto.

Três homens teriam ficado fazendo a guarda das vítimas, enquanto outros raptavam o tesoureiro do BB, a mulher dele e os filhos. Ele e sua família foram levados para o cativeiro, assim como a mulher e os dois filhos do chefe de segurança do banco. Os marginais não teriam achado o chefe da segurança, que recentemente se separou da mulher.

Todos foram colocados no quarto da fazenda e ficaram impedidos de qualquer movimento. Os celulares das vítimas foram para as mãos dos marginais. Via rádio eles se comunicavam entre si.

Pouco antes do meio dia, o comerciante, chegou na fazenda Furquilho para mostrar alguns animais para um outro fazendeiro e seu filho. Os três foram ameaçados e colocados no cativeiro.

Um dos ladrões, armado com um fuzil, teria ameaçado o comerciante, dizendo que iria buscar a neta dele, caso ele não se comportasse. Ele viu a foto de minha neta na carteira e disse que se eu não me comportasse, ele iria buscá-la. Fiz ele desistir, aleguei que o local onde ela estava teria muita gente e ele seria visto.

O líder da quadrilha, segundo uma das vítimas, era um senhor grisalho, moreno e gordo, que mandou o comerciante preparar o almoço para a turma dele. Apareceram uns seis homens para comer. Eu almocei com eles. Estava assustado, mas procurei manter a calma, não podia reagir.

Queriam dinheiro

D.A.L. perdeu R$ 600,00 que estava em sua carteira. Do caseiro, os ladrões levaram R$ 40,00 e da casa sede, levaram um relógio, quatro cobertores e uma bicicleta. Eles queriam saber quanto tinha de dinheiro, dólar e jóias no cofre principal do banco. O tesoureiro relutou em falar, mas acabou contando. Acho que ele ficou com medo que eles matassem sua família.

Os ladrões queriam que o tesoureiro fosse até o banco abrir o cofre. Eles o obrigaram a falar sobre as possíveis saídas do banco, sobre o melhor trajeto de fuga e como poderiam desarmar o alarme. O tesoureiro, segundo esta vítima, explicou aos ladrões que mesmo que ele fosse até o banco, o cofre jamais seria aberto, uma vez que ele estava programado para abrir só na segunda-feira.

Nesse mesmo tempo, outra parte da quadrilha, via rádio, se comunicava com os marginais, dizendo que tudo estava limpo. Porém, de uma hora para outra, eles mudaram a mensagem. Eles falaram que estavam sendo seguidos pela Polícia Rodoviária e que tinha sujado. Os homens que estavam na fazenda pegaram uma caminhonete de uma das vítimas e fugiram, abandonando uma das sacolas com fuzis, armamentos, colete a prova de bala e colete da Polícia Civil. O veículo foi localizado próximo do posto Graal, na rodovia Marechal Rondon. Todos conseguiram fugir. As vítimas estouraram a porta do quarto e saíram.

A Polícia Rodoviária desconfiou da Fiorino branca, na Marechal Rondon, próximo da Unip. O veículo estava ocupado por seis homens. Para se livrar da polícia, eles entraram na chácara Primavera e lá abandonaram a Fiorino e fugiram em um Apolo vermelho, levando o dono do veículo que, até o fechamento desta edição, não tinha sido localizado e nem identificado.

Suspeitas

A polícia suspeita que um dos quadrilheiros seja de Bauru ou tenha trabalhado na cidade. O que não se entende é como um bando, fortemente armado, saiu da Capital para fazer um roubo e não sabia que o cofre do banco está programado para abrir só na segunda-feira.

Como que bandidos, aparentemente tão organizados, saíram da fita com apenas R$ 640,00, quatro cobertores um relógio e uma bicicleta?