Projeto do Aeroclube de Bauru está orçado em R$ 500 mil e depende de patrocinadores; idéia é resgatar história da aviação
O Aeroclube de Bauru planeja implantar na cidade um Museu de Vôo a Vela. O projeto está orçado em R$ 500 mil e depende de patrocinadores para ser viabilizado. A idéia é expor planadores construídos nas décadas de 30, 40 e 50 em condições de vôo.
O valor do investimento envolve a construção de um hangar que servirá de sede do museu, catalogação de plantas de aviões e a recuperação de algumas aeronaves. Entre elas encontram-se algumas raridades, como dois Olímpia, planador projetado em 1936 a pedido de Adolph Hitler com o objetivo de incluir a modalidade nas Olimpíadas de Munique, programadas para o mesmo ano.
Apesar do projeto arrojado, que resultou em estruturas de asa diferentes das utilizadas na época, Hitler não conseguiu incluir o vôo a vela nas Olimpíadas e até hoje a modalidade está fora das competições olímpicas. Um desses Olímpia de Bauru foi construído por imigrantes alemães, a partir de planta adquirida na Alemanha.
Outra raridade pertencente ao aeroclube bauruense é um Spalinger, aeroplano projetado na Suíça e cuja planta foi comprada pelo clube. A aeronave foi construída em 1953 e é a única em condições de vôo no mundo, de acordo com levantamento realizado por um aeroclube europeu.
Segundo Luiz Carlos Cortez Cesar, presidente do Aeroclube de Bauru, muitos estrangeiros e brasileiros residentes em outros Estados vêm a Bauru conhecer e pilotar o Spalinger. Além dessa aeronave que está em plenas condições de vôo, queremos restaurar outros planadores e tornar o museu operacional, explica.
A idéia de montar o Museu de Vôo a Vela surgiu quando Cesar conheceu o Aeroclube Real da Espanha, em Madri, que tem várias relíquias construídas na década de 30, todas elas em operação. Todo primeiro domingo do mês, esses aviões espanhóis são pilotados. Queremos fazer o mesmo em Bauru, afirma.
Colocar em prática o projeto não é tarefa das mais fáceis, em razão dos custos elevados e da aparente falta de interesse do brasileiro em preservar a história volovelística. Para concretizar o projeto, a direção do aeroclube pretende criar uma fundação para angariar recursos, como por meio das leis de incentivo à cultura.
A idéia inicial é que Bauru tenha o seu Museu do Vôo a Vela até meados desta década. Se isto ocorrer, a cidade, conhecida como a Capital Nacional do Vôo a Vela, poderá ver cruzar por seu espaço aéreo os antigos Colibri, Neiva, Canguru, Olímpia, entre outras. Aeroplanos tão bons quanto os atuais e que nos ensinam muito sobre a história da aviação, que tem Alberto Santos Dumont como expressão máxima, sustenta o presidente do aeroclube.
Vôo panorâmico
Dentro da programação da Semana da Asa, o Aeroclube de Bauru premia, amanhã, os 18 vencedores do concurso literário Asas para o Conhecimento.
O concurso foi promovido pelo aeroclube entre alunos de 5.ª série do ensino fundamental ao 3.º ano do ensino médio de escolas municipais, estaduais e particulares de Bauru. Os estudantes deveriam escrever uma redação de 30 linhas sobre a vida do aviador brasileiro Alberto Santos Dumont (leia texto nesta página).
Do total de participantes, 18 foram selecionados e ganharam como prêmio um vôo panorâmico por Bauru, de 15 minutos de duração.
A premiação será realizada na sede do aeroclube, na alameda Octávio Pinheiro Brisolla, amanhã, 23 de outubro, Dia do Aviador.
Os vencedores do concurso literário são Girlene Maria dos Santos, Naiany Monique Mota, Priscilla Cardoso Lazari, Viviane da Silva Souza, Alice Matias Oyama, Michele Aparecida Barroso, Rosilene Machado de Melo, André Vítor do Valle Iguera, Bárbara Silva Alves de Lima, Sheila Cristina Chaves, Flávia Sanches Toledo, Flávia Álvares, Beatriz Milo Lacerda, Josiana Aparecida Alves de Oliveira e Ivete Rodrigues.
Em caso de mau tempo, o vôo será transferido para outra data.