08 de julho de 2026
Geral

Adolescente agredido tem morte cerebral

Fabiano Alcântara
| Tempo de leitura: 2 min

O adolescente Elias de Almeida Filho, 16 anos, teve morte cerebral constatada ontem de manhã, no Hospital de Base. Ele permanecia respirando por aparelhos. Segundo testemunhas, o rapaz foi vítima de 30 agressores, na quinta-feira. A briga começou dentro do Centro Cultural, durante um show de rock.

De acordo com o diretor clínico do Hospital de Base, Samuel Fortunato, o rapaz sofreu trauma crânio-encefálico. O médico afirmou que o estado de saúde de Elias estava tão ruim que não foi possível fazer nenhuma cirurgia para tentar salvá-lo. A morte foi constatada ontem de manhã, por meio de um exame chamado angiografia cerebral.

Fortunato disse que não existe previsão de quanto tempo o adolescente possa sobreviver com a ajuda de aparelhos. O médico explicou que a legislação brasileira impede que as máquinas sejam desligadas, mesmo que a família deseje. Maria Augusta de Almeida, mãe de Elias, culpa o rock pela agressão sofrida por seu filho.

O secretário de Cultura, Sérgio Losnak, anunciou ontem a suspensão do Projeto Arena, no qual a banda Soul Rock se apresentava quando a briga começou. Os shows musicais vão ser interrompidos até o final do ano. Ele se mostrou preocupado com a repercussão do caso. Alguns podem querer relacionar a briga com o rock, mas a música não tem nenhuma relação com o que aconteceu. A violência é uma situação generalizada na nossa sociedade. Isso foi obra de um grupo de baderneiros que poderia ter acontecido até na saída de uma igreja, por exemplo, comentou Losnak.

O delegado-titular da Delegacia de Investigações Gerais-Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG-Garra), J.J. Cardia, disse que vai convidar Losnak para depor hoje à tarde. Ontem, oito pessoas que teriam se envolvido na briga foram ouvidas.

De acordo com Cardia, os maiores de idade identificados vão responder por lesão corporal seguida de morte e os adolescentes vão ser encaminhados para a Vara da Infância e Juventude. Depois da identificação dos agressores, um inquérito será aberto no 3.º Distrito Policial. O delegado da DIG espera esclarecer a autoria do crime ainda nesta semana.

Segundo amigos e familiares, o motivo da briga foi vingança. Um dos agressores teria uma desavença com Elias por ele ter paquerado sua irmã. O rapaz com morte cerebral trabalhava há quatro anos como office-boy e era assistido pela Legião Mirim. Ele morava no Parque Santa Cecília.