08 de julho de 2026
Geral

NOSSO MENINO ELIAS

Dorival Russo de Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Nas palestras que proferimos nas escolas e na legião, onde frisamos a necessidade de termos objetivos bem definidos, conhecemos centenas de jovens; jovens na mesma idade de Elias, jovens que de repente despertam para a vida, para a musicalidade, jovens de camiseta preta, fãs do U2, do Ozzy e de tantos outros roqueiros; também conhecemos os pagodeiros e, eles não são diferentes são cheios de vitalidade e apaixonados pela vida da mesma forma. No inicio conhecemos Elias assim, iguais a tantos outros jovens nas inúmeras palestras.

Elias, no entanto, veio trabalhar com a gente, na mesma empresa e isso fez com que o conhecêssemos de perto. Passamos a conhece-lo na convivência diária - Garoto tranqüilo, cordato, cabelo bem cortado, bem penteado, asseado, um meio sorriso que era constante em seus lábios, correndo para entregar as correspondências, subindo correndo as escadas para esquentar sua comida no microondas, separando notas, cantando no videokê, jeito de menino imerso no mundo de sonhos e controvérsias próprias da adolescência, jeito de vida, jeito de jovem despertando para as imensas responsabilidades de um adulto. Alguém tão próximo da gente, deixar a vida assim de maneira tão bruta e tão sem sentido nos traz um pesar profundo e, também nos faz pensar na justiça, na irracionalidade dos grupos, na complexa mudança que passa a nossa sociedade sentida principalmente nos anseios da juventude.

Não é nosso objetivo aqui falar de responsabilidades, pois não sabemos exatamente o que aconteceu, quais foram as causas que culminaram com tamanha violência; sabemos no entanto, que nenhuma causa justifica tirar uma vida. Não é nosso objetivo conjeturar sobre as lições que podemos tirar do trágico ocorrido, ocupamos esse espaço, somente para falar que na nossa visão, esse menino era um bom menino, que tinha um imenso potencial de realizações a serem concretizadas e, que estava vivendo aquele período de incertezas que já passamos e, que passam ainda hoje os jovens: a adolescência; só que esse período de incertezas por que passam os jovens hoje é diferente, é pior, do que ao da nossa adolescência, pois o mundo não estava tão incerto, tão globalizado e tão consumista como está atualmente.

Elias, apesar de sabermos que sua alma, sua essência divina que voltou a Deus, será aproveitada por Ele em outras vidas, para cumprir seus desígnios, para cumprir o ciclo eterno de vida e morte - morte e vida, vê-lo estendido, inerte, corpo machucado e rosto marcado, depois de acompanha-lo por um bom tempo de vida, foi terrível. Sentiremos sua falta. (Dorival Russo de Moraes - RG 12 632 905)