A coluna Entrelinha do JC, de 25/10, foi infeliz ao afirmar que: Bauru só tem mais uma maria-fumaça, a 278. Pode ser mais uma vítima da ABPF.
Além da 278, Bauru tem a irmã da 401, no Bosque da Comunidade, que é a 404, sofrendo pela ação do tempo e do cupim com as braçagens e todas as ferragens enferrujadas, sem manutenção.
Quanto à 401, podemos afirmar que ela foi salva, não vítima, já que estava condenada à morte, após sofrer pela ação do tempo e retirada de peças por inescrupulosos.
Ressuscitou após uma admirável restauração, através de voluntários dedicados e alguns empregados da ABPF, lembrando-nos, com muito carinho, o sr. Jorge de Paula Ramos, de 99 anos de idade, ex-ferroviário e nosso amigo, que a 401 só rebocava Trens de Inspeção e Especiais, como em 15/11/1925, quando se inaugurou o ramal de Pirajuí e viajaram o diretor, engº Alfredo Castilho, senador dr. Amaral Carvalho, deputado Federal dr. Pires, do Rio, engº Arlindo Luz e outros.
A julgar pelo tempo que a 278 e os carros da composição, cedida pela RFFSA ao Museu Ferroviário, aguardam uma restauração, sugerimos às autoridades e pessoas interessadas na preservação ferroviária que visitem Anhumas e Carlos Gomes, duas estações da antiga linha tronco da Companhia Mogiana, hoje pertencentes à ABPF e de onde vieram para a ex-NOB muitos ferroviários.
Poderão conhecer e admirar locomotivas que pertenceram a muitas ferrovias do Brasil, além dos carros de 1ª e 2ª classes, fabricados nas Oficinas da Noroeste em madeira e pintados de vermelho com molduras nas janelas e portas em amarelo, tal e qual eram vistos nos trens P-1 e P-2, que trafegavam entre Bauru e Três Lagoas, nos anos 1950.
Diante de tudo isso só nos resta parabenizar a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária pelo belo trabalho que vem realizando em prol da história, preservando lá aquilo que Bauru não tem conseguido fazer. (Vivaldo Pitta - RG. 6.028.556)