Estamos livres para opinar que esses vai lá, vem cá, pára no meio etc., que estão envolvendo a discussão da nova política salarial do País, poderão se arrastar até o final de dezembro, devendo se constituir até mesmo em dádiva natalina. Entendemos que ainda que o presidente da República acolha ou vete tudo quanto lhe venha a ser apresentado, ainda que o Congresso faça tudo o que os anjos lhe indicarem tendo em vista encontrar o desejado consenso, a definição definitiva da seríssima problemática, de maneira a satisfazer a todas as vontades e vaidades políticas e parlamentares, só virá a se concretizar no derradeiro mês do ano que está se perdendo no poente deste parafernálico 2001, no qual aconteceu até mesmo o pior que se poderia imaginar, como seja essa guerra entre Estados Unidos e Afeganistão, que está arrastando para jazigos e túmulos milhares de seres humanos e destruindo parcelas inteiras de cidades históricas. Tudo porque - divisamo-lo no emaranhado dos desrespeitos humanos - parece-nos detectar no comportamento e nas atitudes do Executivo e do Legislativo federais um embaraçamento que lembra a legendária indecisão de Pilatos, lavando indiferentemente as mãos, pois fazem meses que os luminares ora discutem, ora engavetam, ora voltam atrás, no importante tema, sem que consigam atingir, no razoável das coisas, a conclusão como é realmente almejada. E o curioso é que a cúpula do sindicalismo, tradicionalmente combativo, vai se deixando enrolar no enrolamento, pois, contagiando até seus comunicadores, parecem ter entrado também, de corpo inteiro, na ampla bacia do banho-maria que aqueles outros estão movimentando... Deus do céu, como se perde tempo preciosíssimo neste país! E perder, cozinhando a matéria com fogo lento, é pior ainda por prejudicar profundamente a minguada bolsa dos pequenos assalariados, que são a maioria no amplo mercado de trabalho da Nação. E, bem mais pior ainda, porque os donos do poder não se despertam do sono que os imobiliza sob cobertores quentíssimos, dos quais não estão se descobrindo nem com a aproximação das eleições. O imobilismo, mais a falta de pressa para resolver questões urgentes, desespera ou não desespera? É evidente que sim, porquanto atrás dessas há uma carrada de outras esperando que aquelas saiam de sua frente para ganhar o privilégio do espaço. É a nossa opinião.
(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.