Atualmente, número de pessoas empregadas na indústria é igual ao do mês de junho deste ano. Número deve cair
Marília - A indústria paulista pode perder, neste ano, todos os empregos criados em 2000. De junho a setembro, 22,1 mil postos de trabalho foram perdidos, contra os 27,4 mil gerados no ano passado. Em setembro, mês de contratações, a queda foi de 2.253 vagas, o que significa uma variação de 0,14%. A revelação é da pesquisa de Nível de Emprego Industrial da Fiesp/Ciesp, divulgada pela diretora do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon), Clarice Messer.
Segundo ela, desses quatro meses, agosto foi o que apresentou pior número - 12.930. A causa foi a antecipação das demissões devido à mudança de regras do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). A multa rescisória no caso de demissões sem justa causa passou de 40% para 50% e a contribuição sobre a folha de pagamento de 8% para 8,5%.
O número de pessoas empregadas hoje na indústria é igual ao de junho do ano passado: 1,606 bilhão. Andamos para trás, disse Messer. Ela explicou, também, que as perspectivas de melhora são nulas e as demissões demonstram os ajustes das empresas a um cenário que piorou: atentados terroristas e os efeitos que a guerra pode trazer ao comércio exterior; o desaquecimento da economia norte-americana; a crise argentina e a elevação dos custos de combustível, comunicação e energia elétrica somados à demanda contraída, o que impede o repasse desses custos para os preços.
Dos 41 sindicatos consultados, 22 tiveram desempenho negativo, 16 positivo e 9 permaneceram estáveis. O agronegócio foi o que apresentou melhor situação em setembro. Os empregos no segmento de matérias-primas para fertilizantes cresceram 0,7% e o acumulado do ano é 7,7%. O setor de adubos e corretivos agrícolas ficou estável, depois de cair 4,65%. Congelados e supercongelados cresceu 6,02%, favorecido pela época de processamento de safra de laranja e açúcar.
Têxteis, vestuário e calçados também apresentaram variação positiva ajudados pelo consumo interno e pelas exportações. Já bens duráveis, automóveis, construção civil e metalurgia estão negativos. Alguns exemplos: autoveículos (-0,32%), esquadrias e construções metálicas (-7,96%) e trefilação e laminação de metais ferrosos(-3,69).
Salvaguardas
Antes da divulgação desses dados nada animadores, o presidente da Fiesp/Ciesp, Horacio Lafer Piva, reafirmou sua insatisfação com o acordo de salvaguardas. Para ele, faltou definição sobre quais setores serão afetados pelas salvaguardas negociadas com a Argentina e que foram anunciadas na reunião dos ministros da economia brasileiro e argentino, Pedro Malan e Domingo Cavallo.
Segundo Piva, a entidade é mercosulista e entende que algumas concessões precisam ser dadas, mas avisou que a entidade se manifestará contra medidas que prejudiquem setores. Queremos saber se o acordo não vai ferir as negociações com a OMC (Organização Mundial do Comércio), se o Brasil vai retirar a reclamação da Argentina no tribunal do Mercosul sobre o leite ou se a Argentina vai tirar as 15 queixas contra alguns de nossos produtos, comentou.