10 de julho de 2026
Geral

Bauru sedia I Jornada de Medicina do Esporte

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 6 min

Os Aspectos Atuais da Medicina do Esporte e a Importância do Departamento Médico na Prática Esportiva foram os temas que abriram a I Jornada de Medicina do Esporte de Bauru, no final de semana passado, na sede da Associação Paulista de Medicina (APM), e contou com vários profissionais da área, como fisioterapeutas e médicos da cidade.

Os médicos A. Sérgio A. P. Terreri, Samir Daher, Daniel Daher e Marco Michelucci proferiram as palestras, cujos assuntos foram debatidos pelos presentes. O ponto mais destacado durante a Jornada foi a importância da atividade física regular para uma melhor qualidade de vida. Os médicos alertaram que as pessoas estão ficando cada vez mais sedentárias e isso prejudica a saúde do indivíduo. É importante realizar exercícios, lembrando sempre que uma avaliação médica é imprescindível antes de se iniciar.

De acordo com Terreri, a Associação Médica Brasileira (AMB) fez algumas exigências para que a especialidade médica do esporte se tornasse mais estruturada. Para ser médico do esporte tem que ter cursos regularizados, especialização em Medicina do Esporte e provas para título de especialista, disse. Ele explicou que essa especialidade médica é de extrema importância não só para o atleta, mas também para uma pessoa que pretende realizar uma atividade física. Para todos, o ideal é se fazer uma avaliação para prevenir lesões e doenças, sendo que a atividade física melhora a qualidade de vida. Uma pessoa que faz atividade física, combate o estresse, a obesidade, melhora a diabetes, colesterol, pressão alta, afirmou.

Terreri, que é o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (SBME) e presidente do Departamento de Medicina do Esporte da APM, esteve falando também sobre a reabilitação de lesões nos atletas. O indivíduo deve procurar uma orientação para prevenção e tratamento adequado. Uma lesão crônica pode, com o tempo, incapacitar o atleta, disse.

O médico explicou que as lesões são diferentes no indivíduo que é profissional e para aquele não profissional, sendo que é perigoso para os dois. Ele disse que o ideal é fazer a prevenção da parte de saúde, além de procurar orientação de especialistas para realizar um condicionamento físico adequado. Ao sentir dores que ocorrem sempre, se intensificam, incomodam, nesses casos, o indivíduo, então deve procurar um médico para descobrir a causa dessa dor, explicou.

Ele lembrou que é importante que todas as pessoas tenham uma atividade física regular para uma melhor qualidade de vida. O mais importante, de acordo com ele, na atividade física voltada para a saúde, é fazer por volta de 30 minutos diários com intensidade moderada.

Coração pede atenção

O membro diretor da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (SBME) e médico cardiologista do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, Daniel Daher falou sobre como se faz a avaliação prévia de um atleta ou de uma pessoa que pretende iniciar em alguma atividade física. Em primeiro lugar, de acordo com ele, deve-se tentar detectar algum tipo de anormalidade que esteja despercebida e possa colocar em risco a saúde da pessoa, depois avaliar se a pessoa já tem alguma doença, alteração para ver que tipo de exercício é benéfico e, em seguida, através de vários exames, se avalia a condição de treinamento para cada pessoa, ou seja, o quanto é necessário e o quanto é seguro para aquele indivíduo.

Ele disse que, para os atletas de elite, não se concebe deixar de fazer esse tipo de avaliação. Isso faz parte do trabalho do atleta que tem o esporte como profissão, afirmou. Daher lembrou que, nos últimos anos, se fala muito em atividade física como sinônimo de saúde, mas, normalmente, se esquece de que para fazer exercícios, o indivíduo deve ser avaliado, evitando assim problemas futuros. É preciso haver uma conscientização sobre isso. O sedentarismo é muito ruim, mas o exercício feito de maneira inadequado pode ser tão ruim ou até pior. Por isso, a importância de uma avaliação correta, afirmou.

Há grupos de pessoas que têm um risco maior em relação a problemas cardiológicos. Leia em seguida quem deve prestar mais atenção ao realizar atividades físicas e fazer uma avaliação mais rigorosa:

lpessoas assintomáticas, ou seja, aquelas que não sentem nada, mas têm mais de 40 anos para os homens e 45 para as mulheres;

lpessoas que são hipertensas, diabéticas etc;

lcrianças, geralmente não sentem nada, mas existem as doenças congênitas que passam desapercebidas e durante a atividade física pode ter alguma alteração.

Do ponto de vista do coração, de acordo com Daher, alguns sintomas são clássicos e, nesses casos, é importante a pessoa para procurar um médico par avaliar o problema. Ele destacou que os obesos podem ter alguns desses sintomas não por terem doenças cardíacas, mas pelo peso. Outras pessoas que podem ter os sintomas também, são aquelas que fazem os exercícios em jejum. Isso não é recomendável em nenhuma situação. O sintomas principais são:

ldor no peito durante a atividade física;

lcansaço muito fácil, precoce durante uma atividade não muito intensa;

ltonturas durante o exercício;

ldores de cabeça durante a atividade.

Prevenir é melhor do que remediar

De acordo com o médico ortopedista e traumatologista, especializado em Medicina do Esporte, Samir Daher, o trabalho de prevenção é o mais importante para o indivíduo que pratica uma atividade física. O ideal é procurar as várias especialidades médicas que devem fazer parte de uma equipe para saber todos os detalhes antes de iniciar ou voltar a fazer uma atividade física. Lógico que isso deve ocorrer no início. Depois de algum tempo, o indivíduo começa a conhecer seu organismo e, a partir daí, é só um acompanhamento periódico num espaço maior de tempo, explicou.

Daher, que é também médico da seleção brasileira de handball e membro diretor da SBME, disse que uma pesquisa realizada no Canadá afirmou que a cada um dólar empregado em prevenção, economiza-se sete dólares que seriam usados em tratamentos. Com a prevenção, tem-se benefícios, sabe-se o objetivo, definindo e deixando-o claro, afirmou.

Daher falou durante a Jornada sobre os maratonistas. Noventa por cento dos participantes dessas competições vão apenas por satisfação própria e, muitas vezes, não estão preparados a uma prova de longa distância e, portanto, ocorrem alguns problemas como a desidratação, lesões, cãibras, entre outros, afirmou.

O médico disse que o perfil dos indivíduos pode ser divido em:

lsedentários;

los que praticam atividade física ocasional;

los que praticam atividade física programada;

latleta competitivo.

De acordo com Daher, que também é chefe do grupo de Medicina do Esporte do Hospital do Servidor Público Estadual, entre esses grupos citados, o mais benéfico é aquele que pratica atividade programada, porque tem uma freqüência na realização de exercícios, mas respeita seu limite por não ser competitivo. Ás vezes as pessoas pensam que os atletas que ganham medalha de ouro têm uma saúde impecável e isso não é verdade. Ele tem sim um bom funcionamento do organismo, mas as lesões que ocorrem nesse atleta, muitas vezes são lesões grandes que não ocorrem nos indivíduos que fazem atividade programada, explicou.

Daher afirmou, ainda, que não existe a melhor atividade física. A melhor, de acordo com ele, é aquela que o indivíduo mais gosta. Não adianta eu dizer que andar é bom, se a pessoa detesta andar, então, desde que seja com uma orientação e freqüência, que faça a que mais se adapta, disse.