08 de julho de 2026
Geral

Capacitação dos membros é desafio

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Os conselhos municipais trouxeram a possibilidade de a comunidade participar efetivamente das políticas públicas, mas muitos representantes não têm capacitação para sustentar e sugerir idéias. Alguns sequer têm como participar das reuniões

Comprometimento não é a única qualidade exigida de um conselheiro municipal. Talvez mais importante do que isso seja seu conhecimento a respeito dos problemas inerentes ao setor que representa, já que terá de deliberar ou sugerir soluções para saná-los. Quem acompanha de perto o trabalho dos conselhos, por sinal, julga a capacitação dos membros o grande desafio a ser enfrentado.

Na verdade, a questão é uma via de mão dupla, pois nem sempre os representantes do povo eleitos ou nomeados para compor os conselhos, o que é um avanço incontestável em termos de participação democrática, têm intimidade com o assunto sobre o qual irão debater ou decidir. Em muitos casos, aliás, os representantes da comunidade sequer têm condições de se deslocar até os locais das reuniões. Em outras palavras, têm voz ativa no órgão mas não têm um passe de ônibus para comparecer aos encontros e fazer valer seus votos.

Na opinião da vereadora Maria José Majô Jandreice, ex-presidente do Conselho Municipal de Saúde, a participação de pessoas não técnicas exige empenho e envolvimento extras. O engajamento tem de ser verdadeiro, porque o trabalho é voluntário e exige dedicação, estudo. Os representantes da comunidade, ao mesmo tempo em que vivenciam os problemas de perto, nem sempre dominam o assunto em sua complexidade. Tem gente que entra nos conselhos e mal sabe o que está fazendo ali. Não se trata de um demérito contra essas pessoas, mas aprender é imprescindível. Os conselheiros têm que saber o que estão discutindo, saber fazer uma ata, enviar um ofício ou pedido, mas nem todos dominam essas práticas. O grande desafio é justamente oferecer a capacitação e formação continuada, mas isso depende de pessoas dispostas e de recursos, apontou a vereadora, num claro recado à Administração Municipal, responsável pela manutenção e estruturação dos organismos.

O chefe de Gabinete da Prefeitura, Antônio Sérgio Marsola, entretanto, descartou, pelo menos por enquanto, ações direcionadas à capacitação de conselheiros. É claro que seria muito interessante dar formação a essas pessoas, mas a Prefeitura não tem planos para mexer com isso no momento. Na verdade, eu acredito que a melhor capacitação se dá com a participação efetiva dentro do grupo. Mesmo que desconheça o funcionamento num primeiro momento, a pessoa com certeza irá aprender com a experiência, a qual eu julgo ser a melhor das formas de se capacitar alguém. Os conselhos, vale dizer, devem representar a sociedade como ela é, ou seja, cheia de diferenças, ponderou.

A secretária municipal do Bem-Estar Social, Sandra Scriptore, também defende a capacitação dos conselheiros, mas acredita que a questão seja, antes de tudo, prevalentemente cultural. Na minha opinião, as pessoas precisam primeiramente absorver a filosofia da participação comunitária nas políticas públicas. Na verdade, vivemos numa sociedade que não está habituada a esse tipo de participação, de convite. Precisamos nos habituar ao trabalho integralizado, opinou.