08 de julho de 2026
Geral

Tem gente carregando flores!

(*) N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

Estamos, mais uma vez, em tempo de finados. Tempo de meditação, reflexão sobre a vida, sobre o que somos para nós mesmos, sobre o que somos para o nosso próximo, sobre o que viemos fazer neste cenário construído por Deus. Sabemos, realmente, o que seja a vida na qual fomos semeados? Talvez não! Sabemos, isto sim, que numa manhã, numa tarde ou numa noite fomos postos nos seus umbrais. E neles permanecemos indefinidamente porque a exata definição de sua durabilidade só o Criador conhece. O que praticamos, o que fazemos por aqui neste que para muitos se transforma em um profundo poço de alegrias e para muitos outros também é transformado em um amplíssimo vale de lágrimas? Uma grande interrogação, pois a vida de que falamos é por si uma total interrogação. Mas, cada um tem a devida consciência do que fez ou faz. Bem para uns, mal para outros, isto porque nunca se sabe no momento para que destino viemos somar uns a outros. Sabemos, porém, que a durabilidade da existência é duvidosa, dilatando-se consoante a conduta física de cada um e cessando indubitavelmente com a morte que, igualmente, não se sabe antecipadamente quando vem. E de que forma vem... De que forma bate à nossa porta... Às vezes em circunstâncias naturais, suaves como noite primaveril, sem dores nem lamentos, e outras tantas como dia tempestuoso, marcado por males corporais ou por violências dos próprios seres. Estabelece-os a análise das pessoas, que, então, têm o condão de partir para o que possa ser melhor para si e, conseqüentemente, para a sua jornada aqui na Terra. De acordo com isso, quantos partem para o além deixam ou não deixam saudades! A maioria deixa e, quando surge o seu dia, o de Finados, recebem o presente pagador das amizades que fizeram entre os seus, debaixo do azul dos céus, amizades que os tornaram inesquecíveis, por todo o sempre, em todos os círculos pelos quais transitaram. E que presente é mais desejado por eles, além das flores que agora são aninhadas sobre seus jazigos, seus túmulos ou suas tumbas? Somente os ramalhetes de amor levados pelos braços da mamãe ou da esposa que ainda choram sua partida ou do filhinho que por aqui ficou sem o seu carinho e o impulso das suas orientações? Não, somente isso não. Aspiram, principalmente, a visita amiga dos que lhes foram caros e, mesmo à distância, continuam a sê-lo. Por isso tem hoje, amanhã ou depois, gente levando o perfume das rosas para tantas sepulturas disseminadas mundo afora. É o que compete aos que continuam do lado de cá!

(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.