08 de julho de 2026
Geral

POR ONDE?

Ivan Garcia Goffi
| Tempo de leitura: 2 min

Diante do caos que nosso País mergulha dia após dia, eu pergunto: Por onde anda o crescimento? Não por coincidência, reparo que a abertura política, tão aclamada em 1985, resultou na abertura dos cofres públicos às aventuras escusas dos políticos, que andavam de mãos atadas, por um governo mais autoritário. Lembravam crianças em festas de aniversário, que não vêem a hora cantar parabéns para atacar os doces. Parece piada, mas depois da década de 80 a capacidade de crescer desapareceu e o parabéns foi cantado somente para os que puderam atacar os doces.

Um País que já construiu o maior estádio do mundo, que teve cortada suas terras continentais com imensas rodovias e ferrovias, que construiu a maior usina hidroelétrica do planeta, que desenvolveu a telefonia, que prezava pela segurança nacional, que investia na melhora do ensino, construiu os maiores hospitais da América Latina e cultuava o civismo como a razão de ser do cidadão, hoje não planeja, não faz, não comenta e não se preocupa. Para tudo quer capital estrangeiro, pois o capital nacional está destinado para outros fins.

Se hoje reclamam do sucateamento das rodovias, da telefonia, das ferrovias, dos bancos estatais, foi porque nesses últimos 15 anos nada se fez senão subtrair os recursos públicos. Nunca se viu, em tão pouco tempo, tanta corrupção recheada de tanta impunidade. Não dá para contar a quantidade de governadores, ministros, deputados, senadores, prefeitos, vereadores, banqueiros e empresários que estão metidos (e seus assessores, amigos e parentes) até o topete na lama podre da política tradicionalmente nacional. Dinheiro para investir no Brasil nunca se tem, mas nunca falta quando se é para enviar para Caimã, Jersey, Suíça e outros paraísos fiscais.

Bauru, na década de 70, construiu a Av. Nações Unidas, um mega-projeto, grandioso por excelência. Construía praças, bosques, ginásios de esportes, investia no esporte, comércio e indústria, fatos que deram-lhe o título de Cidade Sem Limites. Hoje, não consegue nem tapar buracos que não param de crescer. Construir uma quadra de esportes, então, é obra impossível. Asfalto? Só ser for o pago. A incapacidade administrativa fez nossos parques industriais perderem importantes fontes de receita e empregos. Que pena.

Uma das conclusões a que chego é que não vivemos numa democracia, mas uma autêntica oligarquia. O gigante deitado em berço esplêndido não passa de um pigmeu idiota, surdo, cego e mudo aos seus próprios problemas. A outra conclusão é que, olhando as constantes articulações políticas e os tipinhos que fazem parte dela, é que não será pelo voto que veremos solução para nossos problemas. Basta ver que a preocupação do governo e de cada partido é em assegurar para si uma fatia do bolo, é querer saber quem vai ficar com o que, onde e quanto. O povo?? Ah, o povo fica com o Brasil mesmo. (Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173)